Delatores se contradizem sobre Vaccari

Réus confessos ora se contrariam, ora esclarecem de maneira didática as inconsistências de suas delações sobre o ex-tesoureiro do PT: “eu não sei”.

Contradições e suposições sem provas ou sequer indícios de responsabilidade. Em resumo, é esse o resultado dos depoimentos de réus confessos que fecharam acordos de delação premiada na Operação Lava Jato em relação ao ‘suposto’ envolvimento de João Vaccari Neto no esquema de corrupção. E foram justamente esses depoimentos inconsistentes que serviram de base para o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, decretar a prisão do ex-tesoureiro do PT.

Na acusação, o juiz se baseou nas delações sem qualquer prova do doleiro Alberto Youssef, do ex-gerente de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, e do executivo do Grupo Setal Óleo e Gás (SOG), Augusto Mendonça. Um deles, inclusive, possui oito condenações e já enganou a Justiça em acordo anterior de delação premiada.

É importante ressaltar que as delações não são recentes, foram prestadas no final do ano passado. E mais: de lá até a decretação da prisão, Vaccari prestou depoimento à Polícia Federal e esclarecimentos à CPI da Petrobras. Porém, mesmo sem qualquer alteração nos fatos ou sem que Vaccari tenha se negado a prestar qualquer esclarecimento sobre os ‘supostos’ atos ilícitos – pelo contrário, sempre se colocou à disposição da Justiça, da Polícia Federal e do MP –, o Ministério Público insistiu e o juiz Sérgio Moro decretou sua prisão preventiva sem provas.

Ele simplesmente ignorou as contradições.

Delação de Alberto Youssef

O delator Alberto Youssef tenta ligar Vaccari a um suposto esquema de recebimento de valores ilegais relacionados a um contrato firmado entre as empresas Toshiba e Comperj. Tais valores teriam sido recebidos por meio da empreiteira Rigidez. Durante todo o seu depoimento, o delator jamais afirmou que falou com Vaccari ou que agiu a seu mando. Foi Youssef quem negociou os supostos valores ilegais.

A própria empresa Toshiba, por meio de seu representante, desmentiu, em depoimento prestado à Polícia Federal, a versão do delator. E mais: a empresa se manifestou publicamente por meio de matéria no jornal “Valor Econômico”, no dia 31/03/2015, em que afirma ser “enganada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, e induzida a contratar a empreiteira Rigidez para negociar o ressarcimento de prejuízos provocados à empresa pela greve ocorrida no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) em 2011. ” Não há nada sobre Vaccari!

Delação de Pedro Barusco

O réu Pedro Barusco, delator que admitiu receber propina desde 1997, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, disse, em sua delação, que parte do recurso desviado era destinado ao PT por meio do então tesoureiro Vaccari. O delator cita o nome do ex-tesoureiro do PT em sua delação premiada, mas não o acusa diretamente de nada.

Em nova versão à CPI da Petrobras, o delator esclarece seu depoimento: “O que eu disse foi que eu estimava. Estimava, por eu ter recebido a quantia que está divulgada. Eu estimo que o PT tenha recebido. Se eu recebi porque os outros não teriam recebido.” E completou para não restar dúvidas: “E não sei como o João Vaccari recebeu, se recebeu, se não recebeu. Se foi doação oficial. Se foi pago lá fora. Se foi pago aqui dentro em dinheiro. EU NÃO SEI.”

Delação de Augusto Mendonça

Em depoimento de delação, o réu confesso Augusto Mendonça afirmou que Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, solicitou que fizesse doações ao PT, as quais foram feitas entre os anos de 2008 a 2011. Mendonça disse ter conversado com João Vaccari, em 2008, quando explicou que gostaria de fazer contribuições ao Partido dos Trabalhadores. Vaccari orientou como fazer doações legais e oficiais ao partido.

É importante destacar que o delator afirmou que doou, a pedido de Renato Duque, mas que não conversou com Vaccari sobre o caráter ilícito das doações nem mesmo que seria feito a pedido de Duque. Ou seja, até mesmo quando cita Vaccari em suas delações, Augusto Mendonça deixa claro que o ex-tesoureiro do PT nada sabia sobre eventuais ilegalidades cometidas por ele (o delator).

Em um depoimento complementar de delação, o réu confesso Augusto Mendonça afirmou que a empreiteira, a pedido de Vaccari, direcionou R$ 2,4 milhões em pagamentos à Editora Gráfica Atitude, sediada no centro de São Paulo. Segundo o delator, Vaccari solicitou que tais pagamentos fossem realizados para cobrir propagandas na Revista do Brasil pertencente à editora.

Por diversas vezes, Vaccari ressaltou que nunca solicitou nenhum pagamento e que não tem qualquer relação com os depósitos realizados pela empresa do delator à Editora Gráfica Atitude. Paulo Salvador, coordenador de planejamento editorial da editora, confirmou, quando indagado pela imprensa, que nunca tratou de patrocínios para a empresa com o ex-tesoureiro do PT.

Os representantes da editora, inclusive, sequer foram ouvidos ou lhes foi solicitado qualquer tipo de documentos ou esclarecimentos. Conforme alegou a defesa, por meio do advogado Luiz Flávio Borges D’Urso: “fundamentar uma Ação Penal, quando inexiste investigação policial, capaz de, minimamente, corroborar as declarações do delator, coloca em risco o devido processo legal e o princípio de presunção de inocência”.

Liberdade já
Ao mesmo tempo em que aguarda a manifestação do Ministério Público sobre o pedido de reconsideração da prisão preventiva, a defesa de João Vaccari ingressou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, que se encontra nas mãos do ministro Teori Zavascki.

Não há justificativa jurídica para manter Vaccari preso, exceto o ‘modus operandi’ de Moro que é torturar para o preso falar o que ele quer ouvir. Liberdade já para Vaccari!

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6 respostas em “Delatores se contradizem sobre Vaccari

  1. Pingback: Lava Jato quebra sigilo telefônico do PT e não encontra nada | Luizmuller's Blog

  2. Pingback: Alegações finais da defesa comprovam que Vaccari é inocente - Bem Blogado

    • e para piorar, parece que os MPs tambem podem instituir a qq momento todo e qq tipo de acusacao, as mais estapafurdias possiveis, e o provavel reu que se dane respondendo. Nem bem termina uma acusacao, acham outra qq para recomeçar…

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  3. Pingback: Processo Kafkiano tem mais fases que Candy Crush | Ficha Corrida

  4. Pingback: DOSSIÊ DE VACCARI CONTESTA TODAS ACUSAÇÕES DO MP | Luizmuller's Blog

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