Deputado desmente Veja sobre delação premiada de Vaccari

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania

A última edição da revista Veja trouxe uma matéria que surpreendeu, mas que não ganhou grande repercussão porque poucos acreditaram nela. Apesar disso, o resto da mídia a reproduziu, ainda que com pouco destaque.

Veja afirmou que “O homem que arrecadou e distribuiu mais de 1 bilhão de reais em propina para o PT, do qual foi tesoureiro, se prepara para falar à Lava Jato”.

A revista cuja razão da existência é atacar o PT refere-se a João Vaccari Neto, ex-presidente do partido, preso há mais de um ano, tendo começado a cumprir pena antes da condenação sumária que lhe foi imposta pelo juiz Sergio Moro.

Vaccari não falou à Veja, mas a revista inventou uma afirmação dele. Segundo a publicação, o ex-tesoureiro do PT teria dito o seguinte:

Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua”.

É uma piada. Note o absurdo da versão da Veja, leitor. Se Vaccari tivesse dito isso, a delação premiada estaria feita. Ele teria confessado. Não poderia nem mais recorrer da sentença em primeira instância que lhe foi imposta por Sergio Moro, que iria para cima dele.

A declaração que Veja atribui a Vaccari poderia lhe agravar a pena, seria um escândalo de repercussão internacional a afirmação peremptória de que a maior central sindical das Américas assassina pessoas e é temida por um de seus membros mais eminentes.

No último domingo, porém, o signatário desta página participou de reunião na residência do jurista Pedro Serrano, em São Paulo, para discutir o lançamento do livro Resistência ao golpe de 2016, na capital paulista, que ocorrerá no próximo dia 20 de junho. Lá, encontrou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), que esteve com Vaccari quando ele deu as declarações que a Veja alterou criminosamente.

Transcrição da entrevista:
Blog da Cidadania
– Paulo Teixeira, sobre essa matéria que saiu acho que não Folha de São Paulo…

Paulo Teixeira – Na Veja…

Blog da Cidadania – Sobre o Vaccari ter intenção de aderir à delação premiada contra alguém, você diz que estava presente no momento em que essa declaração teria sido dada e isso [o que a Veja diz] não é verdade…

Paulo Teixeira – Ele nunca falou em delação premiada. O que o Vaccari fala é que o Partido dos Trabalhadores tem que se colocar nessa ação [de investigação contra si] do ponto de vista institucional, mas ele, em momento nenhum, falou em delação premiada.

Como estávamos em uma reunião, não foi possível gravar o resto da conversa. Porém, o que Vaccari disse foi o contrário do que afirmou Veja.

Vaccari disse que o PT é parte da ação movida contra si, mas que não poderia delatar ninguém porque não fez nenhuma articulação ilegal a pedido do partido de forma a obter propina.  Seria inacreditável o que Veja fez, se não fosse a Veja.

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Veja mente: Vaccari não fará delação

Ex-tesoureiro do PT exerce seu direito ao silêncio porque é um preso político

Uma história fantasiosa. Esse é o resumo da matéria da revista Veja a respeito de um possível acordo de delação de João Vaccari Neto. É blefe. Apenas mais uma mentira, como tem se tornado rotina da publicação da Marginal. Não é possível sequer identificar quando falam a verdade e quando mentem.

Tentam  transformar em verdade histórias fantasiosas com o objetivo de atingir de alguma forma o PT e suas lideranças. Tornou-se patética essa velha estratégia pseudo-jornalística.

Veja mente: Vaccari não está corroído física e psicologicamente. Vaccari é um homem honrado e determinado. Sabe que é preso político e continuará a exercer o seu direito ao silêncio.

Movimentos em direção a delação? Emissários da família sondando advogados? A Veja mente e não está autorizada a falar em nome de Vaccari e sua família.

A Veja está entrevistando colegas de cárcere de Vaccari? Isso é o que desejam, pois depois de toda perseguição ao Partido dos Trabalhadores, com determinante participação de parte da imprensa, ainda assim não conseguiram emplacar o governo golpista de Michel Temer (PMDB).

A arrecadação financeira do Partido dos Trabalhadores, tendo Vaccari a frente como Secretário de Finanças, foi muito semelhante a dos demais partidos políticos que concorreram às eleições. Isso já foi ressaltado e comprovado mais de uma vez. Essa é a única versão a ser explicada.

 Por que doações ao PT são propinas e aos demais partidos ‘contribuição eleitoral’?

Estadao

O jornal O Estado de S.Paulo também chegou a esta conclusão óbvia, como é possível ver na edição de 29 de março de 2015

Vaccari exerceu sua função de arrecadar recursos para o PT e é condenado em primeiro grau da Justiça Federal do Paraná (juiz Sergio Moro) por este motivo.

– A desfaçatez da Justiça com Vaccari

A perseguição da turma da Lava Jato à figura de Vaccari é a forma que encontraram para perseguir o PT e o projeto de transformação social representado por este partido.

Vivemos uma Justiça de exceção. Vaccari é um preso político e sua defesa passa, necessariamente, pela luta contra o Golpe de Estado em curso no País. Aguardamos por sua liberdade, lutando pela democracia, mais uma vez.

– Por que o tesoureiro do PSDB e dos demais partidos não estão na cadeia?
– PSDB de Alckmin recebeu 92% das doações de empresas investigadas pela Lava Jato
– Se a lei vale para todos, por que tesoureiros dos demais partidos não estão presos?
Criminalizar as doações oficiais de um único partido é um atentado à democracia
– Polícia Federal admite que não consegue provar o que é propina e o que é doação de campanha
– Lava Jato quebra sigilo telefônico do PT e não encontra nada

Veja ataca novamente com ajuda de vazamento

Absurdos como os produzidos neste final de semana seguem a mesma estratégia que denunciamos há meses. Mas até quando?

Como bem definiu Paulo Nogueira, no DCM, “quebrar o sigilo bancário de Lula e passá-lo logo a quem, a Veja, foi um golpe de extrema sordidez”.

Além de uma capa extremamente desrespeitosa à imagem do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, a revista Veja transforma suposições que não condizem com a verdade em um artigo de opinião para requentar mais uma capa contra o Partido dos Trabalhadores.

Essa é a obsessão deles. Até aí nada de novo. Não é a primeira capa desrespeitosa e não será o último texto baseado em mentira e ódio.

Na mesma edição, a revista comemora o fato de o Ministério Público ter arquivado a investigação do aeroporto construído nas terras do tio de Aécio. Chega a ser patético.

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Apesar de o roteiro do ataque ser antigo, o problema maior é o novo vazamento do relatório sobre a empresa do ex-presidente Lula. Um órgão que serve para fiscalizar não pode fazer uso político de seu trabalho.

Até quando iremos assistir a vazamentos criminosos e seletivos da Polícia Federal sem que esse órgão seja fiscalizado ou que os responsáveis sejam punidos?

Os dados sobre a empresa do ex-presidente Lula não apontam nada de irregular. Nada de errado. Os órgãos de fiscalização podem ter acesso a informações contábeis de qualquer empresa ou instituição, desde que autorizados pela Justiça.

Porém, divulgá-los para a imprensa sem que nada de errado tenha sido constatado é só uma forma de constrangimento, uma maneira de aproveitar o clima confuso dos últimos meses para deixar as pessoas atônitas e lançar suspeitas. É a fofoca pura e simples.

Pelo visto adentramos em terreno espinhoso.

Enquanto isso, na semana passada, o procurador Daniel Holzmann Coimbra, do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial da Procuradoria, denunciou por calúnia o delegado e o agente da Polícia Federal que apontaram irregularidades na condução da Operação Lava Jato, como o uso de escutas ilegais.

Eles, considerados pelo Blog do Fausto Macedo como ‘dissidentes’ da Lava Jato, são acusados de se associarem “para ofender a honra dos colegas”. Ora, vejam bem o que acabaram de ler: foram acusados por calúnia por terem denunciado irregularidades nas investigações.

Esses tais colegas são exatamente os mesmos personagens que fizeram campanha aberta nas redes sociais ao então candidato Aécio Neves (PSDB) em pleno andamento da Operação Lava Jato.

Chegamos ao ápice dos absurdos. Parece que vivemos em uma terra sem lei. Ou melhor, a lei a que essas instituições seguem tem uma lógica só: criminalizar o PT, não importa se o crime tenha sido cometido ou não.

O recente relatório da Polícia Federal chega ao ponto de transcrever um telefonema de um acusado da Lava Jato com o ex-presidente Lula, cuja ligação não diz absolutamente nada e, portanto, não tem nenhum interesse aos investigadores.

Mas isso é detalhe para eles.

Para nós não!

É grave o fato de utilizarem os instrumentos do próprio Estado para colocarem em risco a democracia e transformarem uma operação em justiça de exceção.

Verdade sobre Vaccari
Com relação às acusações infundadas e até mesmo desrespeitosas com relação ao ex-tesoureiro do PT, reafirmamos que o esforço da turma da Lava Jato é de tentar criar uma imagem negativa de Vaccari.

É o que resta a eles. Afinal, não conseguiram sequer uma prova que comprove o que a palavra de delatores e réus confessos disseram para ter suas penas reduzidas.

Cabe ao Ministério Público comprovar a acusação que diz a denúncia, o que não foi feito até agora.

Acesse o dossiê e conheça a verdade sobre Vaccari.

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