Odebrecht não pode delatar o FHC. Não vem ao caso!

O Conversa Afiada não deixou passar batido e não poderíamos deixar de registrar aqui a inacreditável revelação de um membro da Odebrecht.

Não precisamos dizer muito. A transcrição do trecho diz tudo.

Na IstoÉ:

Gisele Vitória

“Alexandrino de Alencar, ex-executivo da Odebrecht preso por quatro meses na 14ª fase da operação Lava Jato e libertado há cerca de um mês, tem confidenciado a amigos que, em seus depoimentos na prisão, propôs contar tudo o que sabia sobre as relações da companhia com os governos brasileiros ao longo de mais de 20 anos como funcionário de carreira do grupo. “Mas, não se interessaram em saber tudo. Só quiseram informações dos últimos 12 anos”, assim Alexandrino tem dito.”

Anúncios

“Vaca” significa animal e não Vaccari

Defesa de Marcelo Odebrechet esclarece siglas no celular do executivo e afirma que vaca é uma referência ao animal adquirido pelo irmão no leilão

Parece piada de mal gosto, mas não. É má-fé mesmo. Se contarmos essa história a pessoas de bem e que de fato desejam justiça, elas não acreditariam.

Na última quarta-feira (22), o Estadão destacou a seguinte manchete produzida pelo Blog do Fausto Macedo: Anotações de Marcelo Odebretcht relacionam Vaccari a obras. A matéria se baseia no vazamento seletivo de um relatório da Polícia Federal a respeito das siglas encontradas nas mensagens apreendidas no celular de Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira.

Sem um contraponto da defesa do executivo para que pudesse esclarecer as siglas, o relatório da PF relacionou a menção “vaca 2 milhões” a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Essa ilação serviu somente para cravar uma manchete no blog do Fausto Macedo, pois não passou de mera suposição – aliás, “presume-se” é a palavra de ordem na operação.

E sabe o que de fato significa a menção? É uma referência a uma vaca adquirida pelo irmão de Marcelo no valor de R$ 2,2 milhões em um leilão em 2013. Isso mesmo, é uma vaca, um animal, um mamífero. Logo, vaca corresponde a vaca. Ponto final.

O esclarecimento só foi feito nesta sexta-feira, 24, após a defesa da Odebrecht, por meio de uma coletiva de imprensa, contestar o andamento da operação Lava Jato e explicar algumas das anotações presentes no celular do executivo.

Segundo o jornal GGN, Marcelo explicou à advogada que a mensagem sobre a vaca era relativa ao preço pago pelo animal que ele considerou exorbitante. Além da palavra vaca, os advogados esclareceram que a sigla “LJ” que também aparece nas anotações é uma referência ao jornalista Lauro Jardim, da revista Veja.

Sobre a coletiva, indicamos a matéria do jornal GGN. Além de estar mais completa, o texto não está no rodapé da página como fez o Estadão, que não deu o devido destaque à resposta (ou melhor, à verdade) em contraponto à manchete distorcida de quarta-feira.

E vamos combinar: a relação feita da palavra vaca ao Vaccari é típica de uma investigação que não conseguiu sequer identificar sua cunhada, Marice Correa de Lima, nas imagens de um banco. Marice foi presa por engano – ou por pura lambança – e teve sua imagem injustamente exposta ao espetáculo da mídia.

Foi uma pressa típica de quem quer condenar uma pessoa inocente por antecipação. Aliás, a forma como a Lava Jato tem tramitado no Judiciário é de uma velocidade descomunal, assim como é descomunal a quantidade de delações e prisões preventivas.

Que a justiça seja feita!

Leia também: Mais manchetes criminosas para atingir Vaccari e o PT
Brasil sem leis e sem ordem, por Gilmar Carneiro
Em defesa do Estado Democrático e de Direito e contra a espetacularização do judiciário
O ilegítimo e o ilegal
Lava Jato: lições de como se tornar um juiz-celebridade