Lava Jato: o PT é o alvo (parte 2)

Curioso constatar que todas as denúncias que envolvem o PSDB e outros partidos, sobretudo da oposição, são abafadas. Esta é a segunda publicação de uma série de textos que mostram que a “Operação Lava Jato” é parte de uma ação orquestrada para prejudicar a imagem da esquerda e do principal partido que a representa, o Partido dos Trabalhadores. Acompanhe neste blog toda a série.


Denúncias de corrupção na estatal vêm da década de 1990

Uma reportagem da BBC, publicada em 29/11/2014, relembrou denúncias de corrupção da Petrobras feitas pelo jornalista Paulo Francis em outubro de 1996. Durante o programa “Manhattan Connection”, exibido então pela GNT, Francis denunciou: “Os diretores da Petrobras todos põem o dinheiro lá (Suíça). Tem conta de 60 milhões de dólares…”

Na época, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, era o Presidente da República. Segundo a reportagem, FHC tomou conhecimento da denúncia. Mesmo assim, nada fez para investigar. Nem a imprensa e tampouco Geraldo Brindeiro, Procurador Geral da República (que, aliás, ficou conhecido como “engavetador geral da República”), investigaram o caso.

O jornalista Paulo Francis foi processado. Os diretores da Petrobras, entre eles o presidente da companhia, Joel Rennó, pediram uma indenização de US$ 100 milhões. Francis faleceu de ataque cardíaco quatro meses depois das denúncias. Após seu falecimento, o processo, que havia sido aberto na Justiça dos Estados Unidos, foi encerrado.

Dois pesos e duas medidas

Agora, quase 20 anos depois das denúncias de Paulo Francis, com a Presidência da República ocupada não mais pelo tucano FHC, e sim pela petista Dilma Rousseff, as denúncias de corrupção na Petrobras e em qualquer outro órgão governamental têm andamento.

A imprensa, nesse caso, contribui para esmiuçá-las e depois divulgar o que achar conveniente, geralmente distorcendo as informações para acusar o governo petista.

Entretanto, as investigações da Lava Jato se restringem apenas ao período posterior ao ano de 2003, quando o PT assumiu o Governo Federal, mesmo depois de o réu Pedro Barusco ter confessado que em 1997 já recebia propinas das empresas SBM Offshore (holandesa) e da Progress. Em ambos os casos sob a intermediação do lobista Julio Faerman.

Faerman, em 12/05/2015, firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Curiosamente, não com o MPF de Curitiba, sede das investigações da Operação Lava Jato. O acordo de delação premiada de Faerman foi utilizado por sua defesa para conseguir o habeas corpus que o permitiu ficar em silêncio durante audiência da CPI da Petrobras, ocorrida menos de um mês depois, no dia 09/06/2015.

Sobre esse processo, que apuram denúncias de corrupção ocorrida antes de 2003, não se tem notícias de vazamento de informações. O juiz responsável é Vitor Barbosa Valpuesta, da 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, não Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Valpuesta também é responsável pelo processo em que o empresário Eike Batista é acusado.

Faerman, cuja delação premiada foi homologada recentemente, nada falou em depoimento na CPI da Petrobras sobre o pagamento de propinas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Barusco também se recusou a dar detalhes sobre este período. Apenas disse: “eu não posso aprofundar, porque eu estou, neste momento, sendo investigado exatamente nesse período”. E, ao ser questionado se aceitaria fazer uma delação do período anterior a 2003, disse: “tenho que esperar as investigações progredirem para tomar uma decisão. Não é o momento de eu optar por um caminho ou outro, se as investigações estão em curso.”

É curioso o acordo de delação premiada de Faerman ter sido firmado com o MPF do Rio de Janeiro e não com o do Paraná, já que, com a prisão do petista José Dirceu, o juiz Sergio Moro tenha justificado seu pedido de transferência para Curitiba para que ele – Moro – mantenha a “centralidade” das investigações. Para uns, age de uma maneira. Para outros, de outra.

Todos os fatos relatados sobre corrupção na Petrobras do período anterior ao governo petista são mantidos a sete chaves no Rio de Janeiro e não se tem notícias do processo. A impressão que se tenta passar é a de que os atos de corrupção se iniciaram com o governo Lula, mesmo tendo sido denunciado por Paulo Francis em 1996 e confirmado agora por Pedro Barusco.

Já quando surgiu denúncia de corrupção em contratos da Eletronuclear, não mais na Petrobras, Sergio Moro alegou que o caso era de sua competência “em decorrência da conexão e continência com os demais casos da Operação Lava Jato e da prevenção, já que a primeira operação de lavagem tendo por origem os crimes praticados pelo cartel consumou-se em Londrina/PR e foi descoberta em processo inicialmente distribuída a este Juízo”. Moro alega ainda que “dispersar os casos e provas em todo o território nacional prejudicará as investigações e a compreensão do todo”.

Não há conexão, continência e prevenção no caso das propinas pagas pela SBM, no mesmo âmbito da Petrobras? Ou será que o juiz Sergio Moro somente quer investigar denúncias de corrupção durante os governos petistas e deixar imunes os tucanos e seus governos?

A desigualdade de tratamento também ocorre nas apurações sobre as suspeitas de corrupção em contratos de Furnas e da Eletronuclear, ambas subsidiárias da Eletrobras. Sobre esse assunto falaremos em outro post. O fato mais recente é que, nesta segunda-feira (5), Moro enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os seis processos que tratam de supostos desvios de dinheiro na construção da Usina Nuclear Angra 3. Ele foi obrigado a cumprir a determinação do ministro Teori Zavascki.

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Sérgio Moro condena Vaccari e a democracia

É impossível aceitar a narrativa hipócrita de que as doações arrecadadas oficialmente sejam transformadas em propina somente quando é ao PT

A decisão do juiz federal Sérgio Moro em condenar João Vaccari Neto, apesar de não ter sido produzida qualquer prova no processo, não surpreende ninguém.

Vaccari foi condenado por ter sido tesoureiro do PT e arrecadado recursos legais e oficiais para o partido. Essa sentença apenas mostra a parcialidade de Moro no processo e a ilegalidade de condenar alguém com base na palavra de delatores.

Toda vez em que Moro cita a operação Mãos Limpas, comparando-a com a Lava Jato, deixa transparecer que fez tudo de caso pensado para estar neste lugar de protagonista, tamanha sua obsessão e perseguição.

Confira o trecho que resume a justificativa do juiz-celebridade:

“Parte da propina  foi direcionada a João Vaccari Neto, tesoureiro  do  Partido  dos  Trabalhadores,  o  que  foi  feito  na  forma  de  doações registradas perante a Justiça Eleitoral”.

– A ÍNTEGRA DA SENTENÇA

Ora, não há prova! Moro condena com base em interpretações e falas contraditórias de delatores. Doação oficial aprovada pela Justiça Eleitoral é cumprimento da lei.

Delatores se contradizem sobre Vaccari

Desde o início, Vaccari alertava: “estão tentando transformar doações legais em ilegais e criar um fato midiático”. E assim fizeram. Foram vários os espetáculos midiáticos, a começar pela clara tentativa de usar a operação para interferir no processo eleitoral de 2014.

Posteriormente, foi uma sucessão de absurdos e perseguições, que é impossível elencar em apenas um texto. Mas vamos a alguns episódios envolvendo o ex-tesoureiro do PT.

Quem se recorda da condução coercitiva desnecessária e do circo em que se transformou a CPI da Petrobras, quando Vaccari abriu mão do direito de permanecer calado e, ignorando as provocações de um jogo sujo e mesquinho que incluiu a aparição de ratos em plenário, reafirmou o que sustentou desde que envolveram seu nome e as contas do partido nas denúncias?

Quem se recorda da perseguição injusta e criminosa a seus familiares, que resultou até mesmo na absurda prisão de sua cunhada por engano? Quem se lembra da tentativa de criminalizar a compra da sua casa própria e a de sua filha?

Vaccari possui apenas uma conta corrente que, assim como as contas de sua esposa e filha, foi investigada na quebra de sigilo bancário e fiscal e nada de irregular foi encontrado.

Laudo da Polícia Federal confirma: Marice foi presa por engano
MPF confirma erro sobre depósito na conta da filha de Vaccari
Defesa explica detalhadamente depósitos na conta da esposa de João Vaccari

Tudo foi amplamente respondido pela defesa. Não encontraram nenhum fiapo de prova contra o ex-tesoureiro do PT. Não há documentos, dinheiro apreendido ou contas no exterior que envolvam o Vaccari.

Querem transformar doações legais em ilegais
Novo indiciamento de Vaccari é vingança política
Alegações finais da defesa comprovam que Vaccari é inocente

O ex-tesoureiro do PT agiu como determina a lei. Todas as doações foram feitas dentro dos critérios estabelecidos, por via bancária, mediante recibos, com transparência e com a devida prestação de contas às autoridades, conforme comprovado por documentos declarados à Justiça Eleitoral e aprovados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Aliás, todos os partidos políticos do País funcionam assim, ou não? Os recursos arrecadados pelo PT em nível nacional são praticamente equivalentes aos recursos recebidos, por exemplo, pelo PMDB e PSDB, como já falamos várias vezes aqui neste Blog. Inclusive as mesmas empresas citadas na Lava Jato doaram para cerca de 20 partidos.

Por que doações ao PT são propinas e aos demais partidos ‘contribuição eleitoral’? 
Por que o tesoureiro do PSDB e dos demais partidos não estão na cadeia?
–  Sobre financiamento de campanha, corrupção e hipocrisia

Diferente de Vaccari, que nunca coagiu qualquer empresário a fazer doação ao PT, a operação Lava Jato coagiu mais de 30 delatores até agora.

Ou manter alguém preso não é coação? Ou falar “entrega fulano e beltrano que vai dormir em casa” não é coação?

Na maioria dos países, a delação premiada é vista com muitas reservas, pois incute o princípio da traição. A Constituição do Brasil de 1988, resultado do processo de redemocratização, tem como princípio a humanização, a solidariedade e a presunção de inocência.

É um absurdo que a delação premiada passe a ser princípio para se fazer justiça em nossa sociedade.

É impossível aceitar a narrativa hipócrita de que as doações, arrecadadas oficialmente como prevê a lei, sejam transformadas em propina porque alguns setores da sociedade querem o fim do PT.

Condenar Vaccari, da forma como fez Moro, tentando criminalizar as doações oficiais de um único partido, é um atentado à democracia.

– Advogado de Vaccari emite nota pública e diz que irá recorrer da decisão
– Dossiê comprova detalhadamente a inocência de Vaccari

 

Procurador do caso Banestado ataca Lula novamente

O ilustríssimo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Lava Jato, voltou a brilhar na nova fase da interminável operação, que entrou na sua 19ª etapa nesta segunda-feira (21).

“Tudo foi originado na Casa Civil do governo Lula” é a nova frase célebre do procurador. O discurso – que você pode conferir no Blog Porta Voz da Lava Jato – é sempre carregado de ironias com ataques direcionados ao PT.

Não é a primeira vez que ele tenta atingir Lula. Ele é justamente o mesmo procurador que anunciou à imprensa pela primeira vez que Lula poderia ser investigado.

O Blog “A Verdade sobre Vaccari” resgata um texto que explica um pouquinho quem é esse tal procurador que não faz a menor questão de esconder suas preferências político-partidárias.

O negociador das delações premiadas

Procurador do caso Banestado volta a brilhar na Lava Jato ao lado do juiz-celebridade e do doleiro que mentiu para a Justiça

Ideólogo e principal negociador das delações premiadas na Operação Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima – o mesmo que rebateu Dilma pela imprensa e disse que Lula poderia ser investigado – possui ligações curiosas com o caso Banestado, assim como o juiz federal Sérgio Moro e o doleiro Alberto Youssef, personagens reincidentes do Paraná.

Ao vê-lo nos noticiários dando entrevistas exclusivas para defender os procedimentos utilizados na operação, a pergunta que ocorreu foi: mas quem é, afinal, esse procurador que se comporta como um político de oposição sob os holofotes da mídia?

Uma reportagem da Istoé, de setembro de 2003, intitulada “Raposa no galinheiro”, nos dá uma ideia de quem estamos falando. A matéria é escrita pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Na época, ele ainda não tinha lançado o livro pelo qual ficou amplamente conhecido: “A Privataria Tucana”.

No texto, ao relatar a viagem de uma comissão com parlamentares e membros do judiciário aos EUA para apurar as denúncias do caso Banestado, o jornalista afirmou: “A viagem seria um sucesso, mas o trem quase descarrilou por causa de uma disputa insólita, cujos motivos até então ocultos se revelaram, no mínimo, de má-fé.”

E continuou: “É que entre os procuradores estava Carlos Fernando dos Santos Lima. Santos Lima, quando servia em Curitiba, foi quem recebeu e manteve engavetado, desde 1998, o dossiê detalhadíssimo sobre o caso Banestado e uma lista de 107 pessoas que figuram na queixa-crime sobre remessa de dólares via agência em Nova York. No episódio houve aquilo que em termos jurídicos se chama de “instituto da suspeição”, já que o procurador é parte interessada no caso. Sua esposa, Vera Lúcia dos Santos Lima, trabalhava no Departamento de Abertura de Contas da filial do Banestado, em Foz do Iguaçu. Agora, na Big Apple, Santos Lima fez um tour de force para que a documentação da quebra de sigilo de várias contas, realizada pelo escritório da Procuradoria Distrital de Manhattan, também não viesse à luz, enveredando por um labirinto burocrático que, como sempre, tem seu final em pizza.”

Leia também: CPI do Banestado investiga conduta de procurador que apura lavagem

Parece mentira, mas não é. Ele é justamente o procurador que adora se posicionar na frente dos holofotes e apontar suposições. Nunca provas. É o procurador que, sem receber nenhum voto, comporta-se como um opositor ao governo que, pelo seu histórico pessoal e profissional, parece detestar.

Como bem definiu Wadih Damous, ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro, em seu artigo: “Os que anunciam desejar “refundar a República” devem se candidatar a cargos eletivos e se submeter ao crivo do sufrágio universal. Essa não é a função de juízes e de procuradores. Já está mais do que na hora de voltar a valer um velho adágio: juiz só fala nos autos. O papel de celebridade não é apropriado para quem veste toga”.

Definitivamente, uma operação que poderia servir de combate à lavagem de dinheiro no país tornou-se uma operação que serve a interesses políticos para criminalizar o Partido dos Trabalhadores. A parcialidade de todas as decisões, focada única e exclusivamente no PT, é uma prova inquestionável do teor político da Lava Jato.

As arbitrariedades e os questionamentos à condução da operação não param por aí.

Acesse os links e saiba mais:
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Não aguento mais a Lava Jato e Sérgio Moro. Por Paulo Nogueira

A Lava Jato, hoje, é pouco mais que um instrumento pseudojurídico para o antipetismo delirante

Texto oportuno para o momento e, por isso, reproduzido no Blog “A Verdade sobre Vaccari”.

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Vou fazer um desabafo.

Não aguento mais a Lava Jato. Não suporto mais ouvir falar em Sérgio Moro. Não tolero mais ver os policiais federais escoltando pessoas rumo a prisões.

É muito espalhafato, é muito circo. É muita mitificação de uma classe que é muito mais um problema do que uma solução para a sociedade nos termos em que seus integrantes atuam hoje: a Justiça, absurdamente partidarizada.

E é muito custo também: nunca vi na imprensa, porém, um único levantamento sobre quanto custa a Lava Jato.

É o triunfo da forma sobre o conteúdo. É para enfrentar de verdade a corrupção?

Há um caminho vital: proibir o financiamento privado das campanhas.

Aí está a origem, aí está o motor por trás da corrupção.

Sobre financiamento de campanha, corrupção e hipocrisia

Aí está, também, a brecha pela qual a plutocracia tomou de assalto a democracia. Ou alguém acha que as corporações dão dinheiro para políticos em troca de autógrafos?

Eduardo Cunha, segundo todas as evidências, se meteu numa enroscada por querer milhões de uma empresa para arrecadar dinheiro para a campanha dele – e de outros.

Foi assim que ele conseguiu comandar um séquito de deputados com menos capacidade de levantar dinheiro, e que se tornaram dependentes dele.

Esse mecanismo pervertido vai continuar? Dez Lava Jatos não conseguirão deter a corrupção. Porque a corrupção mora nesse sistema.

Sem eliminar o financiamento privado, você mexe com o sintoma, mas não com a causa.

A Lava Jato, neste sentido, é uma grande ilusão ou, numa visão mais ácida, um grande embuste.

Não consigo mais também ver vazamentos canalhas e mentirosos que servem a propósitos sórdidos da imprensa.

O maior deles foi um que a Veja publicou na véspera da eleição. A revista dizia que o delator Youssef afirmou que Dilma e Lula sabiam do esquema do Petrolão.

Ora, quando veio a público o real depoimento de Youssef, o vazamento que chegou à Veja numa hora tão delicada foi espetacularmente desmentido.

Youssef em nenhum momento disse que Lula e Dilma sabiam. O máximo a que chegou foi um “me parece que”, algo completamente diferente de dizer o que a Veja disse que ele disse por meio de algum policial vazador da Lava Jato.

Esse vazamento quase muda a história da eleição, pela maneira como a Veja o explorou sobretudo em São Paulo. Capas e cartazes com a imagem criminalizada de Dilma e Lula funcionaram como propaganda eleitoral de Aécio.

A Lava Jato, hoje, é pouco mais que um instrumento pseudojurídico para o antipetismo delirante.

Veja a espécie de fã que Moro arrebanhou: eles mordem em pobres, negros, homossexuais e demais minorias. Só não são fascistas porque não têm formação política nenhuma. São analfabetos políticos, mas uma espécie perigosa e predadora dessa turma, e não pacífica.

É para combater a corrupção?

Foco no que é vital: uma reforma política que acabe com financiamento eleitoral de empresas.

Sempre com o dinheiro entra em proporções copiosas em alguma coisa, deturpa-a.

Na política, não é diferente.

A Lava Jato, com todo o estardalhaço, vai significar, no fim, mais do mesmo, e a um custo brutal.

Não é com ela que a corrupção será erradicada.

Circo por circo, é muito melhor o de Soleil.

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Por que Aécio omitiu doação da Odebrecht ao TSE?

Relatório técnico da Justiça Eleitoral aponta também que o candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão da construtora Construbase, mas declarou somente R$ 500 mil

Enquanto setores poderosos da imprensa e do judiciário tentam a todo custo alardear supostos erros nas contas eleitorais de Dilma Rousseff e transformar em propina doações legais e oficiais ao PT, esquecem (ou não, é má-fé mesmo) de perguntar porque o candidato Aécio Neves (PSDB) não declarou doações de empresa citada na Lava Jato.

Quando o alvo é o PT, vale tudo: de investigação seletiva à prisão ilegal. Tentam, com manobras jurídicas e o espetáculo midiático, transformar procedimentos legais em ilegais para criminalizar única e exclusivamente as doações feitas ao Partido dos Trabalhadores.

– Por que o tesoureiro do PSDB e dos demais partidos não estão na cadeia?

A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora das contas da campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no TSE, pediu explicações a respeito de 15 supostas irregularidades nos documentos entregues pela campanha do tucano.

Entre as mais graves, está o fato de Aécio ter repassado ao PSDB uma doação de R$ 2 milhões da empreiteira Odebrecht, mas não ter registrado a transação na prestação de contas.

Confira a íntegra da matéria publicada no Brasil 247:

TSE: POR QUE AÉCIO OMITIU DOAÇÃO DA ODEBRECHT?

247 – A relatora da prestação de contas da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Maria Thereza de Assis Moura, solicitou do tucano explicações sobre 15 supostas irregularidades detectadas nos documentos entregues à corte.

Entre elas está o fato de Aecio ter repassado para o PSDB uma doação de R$ 2 milhões da Odebrecht, mas não ter registrado a transferência na prestação de contas.

“O comitê financeiro nacional para presidente da República do PSDB registrou em sua prestação de contas o recebimento de doação de R$ 2 milhões, efetuada pelo candidato, no entanto, não há o registro da transferência na prestação de contas”, afirma o relatório técnico da Justiça Eleitoral. A Odebrecht é uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato e seu presidente, Marcelo Odebrecht, está preso desde 17 julho.

Segundo dados divulgados pelo Estado de S. Paulo, além da Odebrecht, o TSE aponta também uma diferença entre o valor declarado pela campanha e o montante efetivamente doado pela construtora Construbase. O candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão, mas declarou R$ 500 mil.

A ministra Maria Thereza de Assis Moura quer saber também por que a campanha tucana declarou R$ 3,9 milhões em doações estimáveis apenas na prestação de contas retificadora.

Das 15 irregularidades detectadas pelo tribunal, pelo menos três foram consideradas infrações graves. Elas dizem respeito a doações recebidas antes das prestações de contas parciais e que só foram registradas nas prestações finais, somando mais de R$ 6 milhões.

O PSDB informou por meio de nota que já esclareceu ao TSE todas as dúvidas e ratificou os erros apontados pelo tribunal. Segundo o partido, todos as doações foram registradas com os devidos recibos eleitorais, inclusive as da Odebrecht e Construbase, e as falhas detectadas são erros meramente contábeis.

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Faz sentido os procuradores da Lava Jato dizerem que vão “refundar a república”?

Por Kiko Nogueira, no DCM 

O procurador Deltan Dallagnol se define assim nas redes sociais: “Seguidor de Jesus, Marido e Pai Apaixonado, Procurador da República por Vocação e Mestre em Direito por Harvard”.

Tudo com maiúsculas.

Dallagnol está tendo seus 15 minutos de fama e adorando. Numa igreja batista, apresentou as célebres “10 medidas contra a corrupção”, iniciativa do Ministério Público Federal. Não viu problema nenhum em fazer esse tipo de pregação ali.

Na abertura do 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia, em Curitiba, foi além. Traçando uma analogia óbvia entre sua atividade e a dos anfitriões, Dallagnol afirmou que a corrupção “é um câncer que torna a sociedade doente e a operação Lava Jato é a cirurgia que vai extirpar essa doença”.

“Ao salvar vidas, vocês são os heróis do nosso país”, disse para a plateia embevecida, deixando claro que estava falando também de si próprio.

A ira santa de Dallagnol contaminou Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa do MPF. Ao Estadão, Lima disse que “o Brasil merece mais. Merece acreditar em quem trabalha duro e honestamente”. (Grifo nosso e pausa para risos. Confira aqui o histórico do procurador que deseja refundar a República e a ligação de outros personagens do caso Banestado à Lava Jato)

De acordo com ele, nada mudou aqui — até agora. “Vivemos ainda num capitalismo de compadrio, em uma falsa República”. Há esquemas criminosos no governo federal e nos partidos, declarou.

É preciso montar o quebra cabeça das relações público-privadas. “Só assim”, diz ele, “a população poderá separar o joio do trigo e poderemos enfim refundar nossa República.”

Uma das críticas mais comuns a Lula é a de que seus admiradores o consideram um messias. Mas os homens da Lava Jato, com o palco e o microfone à disposição, tornaram-se imbuídos do espírito de salvadores da pátria.

Nenhum deles é sociólogo, mas fazem análises incríveis da vida nacional. A prisão de gente como José Dirceu os transforma ainda mais em, como diz Dallagnol, heróis do nosso país.

Esse lugar foi ocupado, anteriormente, por Joaquim Barbosa, o menino pobre que mudou o Brasil, segundo a formulação da Veja. Hoje ninguém se lembra dele. Usou, foi usado e tchau.

O espírito cesarista de JB tomou conta do exército de Moro, que tem licença para matar e não responde a ninguém.

É evidente que corruptos devem ser identificados e punidos. Ninguém é idiota de achar o contrário. Agora, não cabe a um procurador dizer que vai “refundar a república.” Baseado em quê? Em inquéritos policiais infalíveis? Isso, sim, é um perigo para a democracia.

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