Esposa e filha de Vaccari falam pela primeira vez

Elas contam como é ter o marido e pai preso e exposto à execração pública só porque é do PT

“Apesar da pressão para que todos se tornem delatores, tenho certeza de que meu pai jamais fará isso. A ideologia é tudo para ele. E ele jamais falaria de pessoas inocentes só para sair da prisão”, diz Nayara, filha de Vaccari.

“Não sei se consigo falar. É difícil. Quem está nos dando força na verdade é o próprio João. Ele é muito forte e é o que nos dá alicerce”.

Foi assim que Giselda de Lima, a Gigi, há mais de 30 anos casada com João Vaccari Neto, deu a primeira entrevista sobre o drama que a família vem enfrentando nos últimos meses. Ao seu lado, com os olhos marejados, estava Nayara de Lima, a filha do casal.

“Quem está nos dando força na verdade é o próprio João” é uma frase surpreendente para quem não conhece Vaccari, mas não para aqueles que conviveram com ele, como seus amigos e companheiros. Ela resume a personalidade de um homem com sólidos laços familiares, ético, determinado, comprometido com seus ideais políticos e, por isso mesmo, perseguido, humilhado e execrado.

Um silêncio ensurdecer tomou conta da sala. Não era um silêncio comum apenas a uma casa onde um bebê dorme tranquilamente. Era o silêncio que vinha lá do fundo dos corações dessas mulheres que mostram que têm a força típica dos Vaccari para enfrentar as torturas psicológicas. E, naquele momento, apesar do choro incontido, ao decidirem conceder entrevista a nosso Blog, mostravam também que estavam muito mais fortes do que pensavam para seguir lutando por justiça.

Ainda surpresas e certas de que não conseguiriam falar mais que duas frases, Gigi e Nayara abriram o coração e, com a voz embargada ou crises de choro, relembraram o pesadelo que enfrentam desde que a Operação Lava Jato passou a perseguir a família.

15 de abril. Logo cedo os noticiários exploravam de forma sensacionalista a prisão preventiva do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Foi um dia terrível, porém não tão humilhante como a manhã de 5 de fevereiro, quando a Polícia Federal invadiu a casa da família depois de arrombar o portão para conduzir coercitivamente Vaccari a depor. “Foi horrível e assustador. Naquele dia, ele não saiu para a caminhada como costumava fazer. Estávamos dormindo e foi um grande susto, pois foi muito truculento”, lembra Gigi.

Nayara, a filha única do casal, estava grávida de oito meses quando seu pai foi preso de forma humilhante e injusta sob os holofotes da mídia. João Mateus, o genro de Vaccari, foi quem preparou o espírito da então futura mamãe. “Ele dizia para mim, com todo o cuidado: você sabe o que de ruim pode acontecer ao seu pai, né? Mas vai ficar tudo bem.”

Os dez primeiros dias após a prisão – praticamente anunciada, prevista e defendida pela mídia nos dias que a antecederam – foram os mais difíceis. De repente, esposa, filha e a cunhada Marice Correa viram seus nomes e imagens sendo explorados de maneira covarde em uma campanha difamatória e brutal.

A base de tudo foram os vazamentos de dados confusos e contraditórios, devidamente explorados pela imprensa que não teve o mínimo pudor ao distorcer cada informação. “Foi bem difícil. Minha mãe ficou muito abalada, principalmente no período em que ficavam comparando a imagem dela com a da minha tia”, conta Nayara.

Laudo da Polícia Federal confirma: Marice foi presa por engano

A tentativa de destruir a honra da família Vaccari, a forma avassaladora a que a intimidade deles foi exposta por jornais e revistas, continua provocando calafrios na Gigi, que, compreensivelmente, ainda se assusta com a presença de jornalistas.

Passados alguns meses, Gigi e Nayara se esforçam para encontrar formas de conviver com essa nova realidade.

A ideologia mantém meu pai sereno

“Acredito no que fiz, por isso vou até o final”. É com essas palavras que Nayara descreve uma das conversas que teve com o pai. “O que me dá força é essa convicção dele de que fez tudo certo. É isso que faz com que eu o admire ainda mais e aceite melhor tudo o que estamos passando.”

Falar da ideologia do pai é, visivelmente, motivo de orgulho para essa jovem médica ginecologista. No olhar e nos gestos é possível perceber a emoção que toma conta de Nayara quando fala sobre suas conversas com Vaccari.

“Meu pai é muito ideológico. Ele diz que a vida dele não fará mais sentido se sua soltura implicar perder tudo aquilo em que acredita. A ideologia é tudo para o meu pai e é isso que vai fazê-lo aguentar até o final.”

E nem foi preciso perguntar o que seria esse final. Apesar de não militar partidariamente, Nayara tem plena consciência da perseguição política da qual seu pai é vítima e da pressão que ele sofre diariamente. Ela logo emendou: “Existe uma clara pressão para que todos se tornem delatores. Mas tenho certeza de que meu pai jamais faria isso. Primeiro, porque ele me disse que não tem o que falar. Segundo porque querem nomes e ele jamais falaria de pessoas inocentes só para sair da prisão.”

Nesse momento, Gigi, também muito emocionada, concordou com todas as palavras da filha. “João é um homem muito honesto e justo”, completou.

Como não pode conviver com o neto, Vaccari lê livros infantis

“Essa é a forma que ele encontrou para saber lidar com o neto quando voltar para casa”

Quando Gigi e Nayara visitaram Vaccari pela primeira vez no Complexo Médico-Penal, em Curitiba, seu neto já havia nascido. Foi o nascimento de João que o fez começar a ler livros de contos infantis. Isso mesmo, Vaccari, aquele homem apresentado pela mídia como seco e frio, passou a frequentar a biblioteca da prisão para ler livros para crianças – o primeiro, com cerca de 50 páginas, foi “O menino que mudou de bairro”.

A história, explica Nayara, é sobre um menino que sofre preconceito ao mudar de casa e tem dificuldade para se relacionar com as crianças do novo bairro. “Meu pai disse que o conto trazia um debate importante sobre preconceito e por isso escolheu o livro. Só podia ser meu pai mesmo, é a cara dele isso”, disse, entre risos.

O segundo livro infantil foi “O menino do dedo verde”. Até a pedagoga responsável pela prisão estranhou a escolha de um segundo livro infantil. “Ela deve ter ficado confusa. De repente, ele pega dois livros infantis na sequência. Ela perguntou o porquê”, contou Gigi.

– E o que ele respondeu?, pergunta a reportagem.

– Ele disse: “mas o que eu vou conversar com o meu neto quando sair daqui?”

O avô Vaccari certamente está orgulhoso e feliz e demonstra isso do seu jeito. Foi assim quando viu seu neto com calça jeans pela primeira vez. Nayara conta que quando levou João para conhecer o avô, Vaccari não conseguiu expressar a alegria e, emocionado, repetiu diversas vezes a mesma frase: “Esse meu neto parece um homem de calça jeans”.

Quem sabe estava sonhando com o futuro, quando puder passear de mãos dadas com seu neto, livre.

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Sobre a honra…

Em função da campanha difamatória como a que João Vaccari Neto está sofrendo, resolvemos resgatar um dos textos publicados no início da jornada deste Blog. É sobre a honra!

Na medida do possível, o Blog tenta mostrar o outro lado, a verdade sobre Vaccari, que enfrenta uma batalha injusta e desigual. É difícil resgatar o respeito da sociedade e contar a verdade dos fatos especialmente quando os detratores são um juiz, um policial federal, um procurador da República e, para piorar, o fazem com o apoio dos donos das rádios, televisões, jornais impressos e revistas, que costumam tratar seus oponentes de forma sensacionalista, hipócrita e com má-fé.

Vaccari é um homem digno e não está sozinho.

Quem vai devolver à família o orgulho de ostentar o sobrenome Vaccari?

Desde criança aprendemos com nossos pais que devemos honrar a história e, em especial, o nome da nossa família. “É tudo o que temos”, dizem eles. Somos orientados sobre como temos de nos comportar para sermos tratados como pessoas ‘de bem’ que merecem respeito ao sobrenome que carregamos.

Descobrimos desde cedo que temos de ser honestos, trabalhadores, solidários, corretos com nossos amigos e colegas de trabalho. Temos de pagar todos os impostos e dívidas que fizermos – nada de nome sujo na praça, nada de nome na lista de inadimplentes do SPC. É nossa obrigação fazer tudo para ser uma pessoa digna do nome da família que ostentamos com orgulho, seja Souza, seja Silva, seja Vaccari. Essa, afinal, é a herança que deixaremos para nossos filhos e netos. É a herança que recebemos.

Esse sentimento de honra, de grandeza, de glória, de virtude e de probidade, é o orgulho de todos que lutam para manter os valores, os princípios morais e éticos passados de pais para filhos, especialmente entre as famílias menos abastadas que dão muito duro para criar e educar os filhos e se esforçam diariamente para construir e manter uma reputação ilibada. É a herança que deixarão.

A questão é tão importante que até a legislação brasileira tem um item que estabelece a proteção à honra dos cidadãos. Quem for ofendido, diz a Lei, pode recorrer à Justiça alegando injúria, calúnia, difamação. Em alguns casos, até ganham essas ações. Difícil mesmo é resgatar o respeito da sociedade, limpar o nome da família, especialmente quando os detratores são um juiz, um policial federal, um procurador da República e, para piorar, o fazem com o apoio dos donos das rádios, televisões, jornais impressos e revistas, que costumam tratar seus oponentes de forma sensacionalista, hipócrita e com uma dose enorme de má-fé.

Quantos brasileiros sabem, por exemplo, que o Supremo Tribunal Federal inocentou formalmente Luiz Gushiken, submetido a todas as acusações possíveis de envolvimento com corrupção, exposto nos meios de comunicação burgueses durante anos? Pois é, ele nunca participou de nenhum esquema de corrupção, muito pelo contrário, sempre se comportou com a mais absoluta correção e ética em todos os cargos que ocupou e em sua vida pessoal e familiar. Mas, a notícia sobre sua inocência foi dada somente em cantos de páginas de jornais impressos e em notas telegráficas de telejornais e rádios.

Em um site da comunidade japonesa, um jornalista disse que, como um samurai, Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”. Fica a pergunta: quantos dos brasileiros que assistiram e ouviram jornalistas, analistas e comentaristas execrarem a imagem de Gushiken ficaram sabendo que ele é inocente, honrado, digno e que foi apenas atropelado pela imprensa e pelos investigadores/acusadores?

Ele, assim como Vaccari, foi barbaramente ofendido em sua honra. E isso, diz a Lei, é um fato típico e antijurídico. O Estado, que tem obrigação precípua de tutelar a individualidade de cada pessoa, pode punir o ofensor e caluniador, reforçam os especialistas em direito.

O que a Lei não prevê é, depois de ser exposto de maneira abominável, canalha e repulsiva como ladrão, desonesto e corrupto, justamente por aqueles que deveriam garantir o cumprimento das leis, o que um cidadão pode fazer? Pedir direito de resposta nos horários nobres dos telejornais, nas primeiras capas dos jornais impressos? Entrar com uma ação na Justiça por danos morais?

É impossível uma pessoa cumprir o que prometeu aos pais de defender e honrar o nome da família quando se é vítima de uma campanha difamatória infame e brutal como a que João Vaccari Neto está sofrendo, como a que tantos petistas veem sofrendo nos últimos anos, única e exclusivamente porque fazem parte do partido que priorizou e jogou luzes sobre os mais necessitados, aquelas pessoas invisíveis que a elite não queria enxergar.

É sobre uma releitura da luta de classes no Brasil que estamos falando. É sobre como a dignidade e a vida de um ser humano e de uma família honrada podem ser usadas de maneira torpe na luta política de um País que ainda não consolidou a democracia nem tampouco aprendeu o valor de se combater as desigualdades para se criar uma nação mais justa e para todos, independentemente da coloração partidária.

O que a imprensa chama de ‘caso Vaccari’ escancara o uso político que juízes e promotores estão fazendo de suas funções. Eles se desviam de suas atribuições constitucionais, se submetem a orientações de partidos políticos e à pauta da grande mídia para atacar um partido e seus representantes, relegando a Lei e a Justiça a um segundo plano. A vítima dessa conspiração enfrenta uma batalha perdida, injusta e desigual. Esse é o caso de João Vaccari Neto. Isso pode acontecer com você amanhã. Isso pode acontecer com todos que não perceberem que é preciso lutar para restabelecer a Lei e a Ordem, restabelecer a verdade dos fatos, não permitir que tantas famílias carreguem o peso da desonra provocada por falsas e jamais comprovadas acusações.

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Artigo de Sérgio Moro dá razão a Vaccari

Por Paulo Moreira Leite

O novo pedido do Ministério Público para a prorrogação da prisão preventiva de João Vaccari Neto na carceragem de Curitiba permitirá aos brasileiros acompanhar a coerência das ideias e da postura do juiz Sérgio Fernando Moro, responsável pela Lava Jato.

É possível que, no momento em que você lê estas linhas, Moro já tenha dado sua decisão. Minha opinião é que o Ministério Publico venha a ser atendido e Vaccari continue apodrecendo na prisão, sem que existam provas para ser incriminado, sem uma sentença judicial que justifique o encarceramento por um período que já dura dois meses.

Reprodução: Brasil 247, blog do Paulo Moreira Leite

Reprodução: Brasil 247, blog do Paulo Moreira Leite

O problema é que, num artigo acadêmico de 2001, disponível na internet, o próprio Moro oferece argumentos que mostram por que Vaccari e boa parte dos presos da Lava Jato devem ser soltos imediatamente.

Estou falando do texto “Caso Exemplar: Considerações sobre a Corte Warren.” Num artigo de 18 páginas, Moro faz um balanço da atuação de Earl Warren, o mais influente juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos no pós-guerra. Moro dedica bons parágrafos do texto a comentar o célebre caso Miranda x Arizona, um episódio marcante na luta pelas liberdades civis e pela defesa dos direitos individuais. A conclusão de Moro é que a corte “andou bem” e você tem motivos de espanto quando recorda o que acontece na 13ª Vara Criminal de Curitiba.

O caso Ernesto Miranda é assim. Acusado de ter raptado e estuprado uma moça em Phoenix, no Arizona, Ernesto Miranda foi levado a uma delegacia e, horas depois de interrogatório, assinou uma confissão de culpa não apenas por este crime, mas por dois outros que lhe eram atribuídos. Três anos depois da condenação, a Suprema Corte entrou no caso por duas razões.

A primeira, explica Moro, foi para “garantir ao acusado o exercício do real direito da proteção contra a auto-incriminação.” O que se queria, em resumo, é impedir que o réu fosse levado a fazer confissões naquele ambiente de delegacia no qual os suspeitos são levados a se auto-criminar de maneira não “totalmente voluntária”, como demonstrou o advogado de Miranda. A segunda razão, nas palavras de Moro, é “coibir a extração forçada por meios físicos ou psicológicos, de confissões em casos criminais. ” Eufemismos à parte, estamos falando de tortura. A sentença da Corte, favorável a Miranda, foi assim:

“Concluímos que sem salvaguardas próprias o interrogatório sob custódia de pessoas suspeitas ou acusadas de crime contém pressões que operam para minar a vontade individual de resistir para que não seja compelido a falar quando não o faria em outra circunstância. Para combater essas pressões e permitir uma oportunidade ampla do exercício do privilégio contra a autoincriminação, o acusado deve ser adequadamente informado de seus direitos e o exercício desses direitos deve ser completamente honrado.”

Vamos entender o que a Suprema Corte dos Estados Unidos está dizendo: o Estado não tem o direito de “minar a vontade individual de resistir” para obrigar um acusado a “falar quando não o faria em outra circunstância.” É preciso impedir que o prisioneiro sofra “pressões” e tenha assegurado o “privilégio” contra a autoincriminação. A Corte deve garantir que o exercício desses direitos deve ser “completamente honrado.”

O artigo de Moro lembra outro juiz da Suprema Corte, Tom Clark. Numa sentença de 1949, quando eram comuns as pressões por medidas arbitrárias, capazes de garantir prisões de qualquer maneira — típicas da Guerra Fria — Clark defendeu os direitos dos prisioneiros de forma sintética e profunda. Enfrentando argumentos de outros juízes, que alegavam que um prisioneiro não podia ser solto só “porque a polícia não trabalhou direito,” Clark rebateu:

“O criminoso sai livre, se assim deve ser, mas é o Direito que o deixa livre. Nada pode destruir um governo mais rapidamente que seu insucesso em obedecer suas próprias leis, ou pior, sua desconsideração da guarda de sua existência.”

Em seu voto, Clark lembrou a lição de outro mestre da Suprema Corte, Louis Brandeis, em outra definição preciosa que Sergio Moro faz questão de preservar no artigo:

— Nosso governo é o mestre poderoso e onipresente. Para o bem ou para o mal ensina todo povo pelo seu exemplo. Se o governo torna-se infrator da lei, cria ele próprio o desrespeito a mesma, incita cada um a tornar-se a própria lei e portando, à anarquia.

O Código Penal Brasileiro regulamenta a prisão preventiva em seu artigo 312 e estabelece que poderá ser decretada como “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal”. Mas há uma condição: “quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.” Preste atenção na condição. Lembre também da frase da Suprema Corte segundo a qual é preciso impedir pressões que “operam para minar a vontade individual de resistir.” Pense na frase: “é o Direito que deixa livre.”

É preciso dizer algo a mais?

Sim. O principal argumento favorável ao abuso nas prisões preventivas no Brasil deixou de ser jurídico para se tornar político. Pode-se dizer que é uma forma de populismo rebaixada, essa escola política que tenta justificar o massacre de um cidadão remediado porque a condição dos indigentes e miseráveis é ainda pior.

Costuma-se defender o regime da Lava Jato com o argumento de que 37% de todos as pessoas detidas em nosso sistema carcerário não tem uma condenação e aguardam julgamento.(O dado é real é foi confirmado em pesquisa pelo professor Anderson Lobo da Fonseca, de São Paulo).

Como acontece com os acusados da Lava Jato, a maioria é presa com o argumento genérico de que representa uma ameaça “a ordem pública”, quando é fácil perceber que uma prisão nessas circunstâncias, pode ser um estímulo a desordem, como assinalou Louis Brandeis. Quando os acusados enfim enxergam a luz do dia e têm direito a um julgamento, 40% dos detidos em regime provisório acabam absolvidos ou recebem penas menores do que já cumpriram. Há algum benefício nisso? A Justiça ficou melhor?

A menos que se queira fazer teoria só para americano ler, é bom rever as prisões preventivas da Lava Jato.

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E agora, quem irá reparar o dano causado injustamente à honra da família? Aguardamos justiça

A filha única de João Vaccari Neto, Nayara de Lima Vaccari, teve sua imagem injustamente atrelada à Operação Lava Jato por causa de um erro do banco Itaú-Unibanco.

Na quebra de sigilo bancário, apareceu um suposto depósito da empresa Arena de Indaiatuba Incorporadora Ltda., no valor de R$ 280 mil, à conta de Nayara. Era um erro. Esse valor, na realidade, corresponde a uma doação de R$ 280 mil de sua mãe Giselda de Lima para ajudar na compra da casa própria. O valor da movimentação bancária entre as contas da mesma agência foi confirmado posteriormente pelo banco.

Com isso, o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, acatou o requerimento do Ministério Público que esclarece que a empresa Viena de Indaiatuba Incorporadora não está sendo investigada pela Operação Lava Jato.

É importante destacar que, assim que surgiu a acusação, a empresa se manifestou a respeito e confirmou o que Nayara havia dito à Polícia Federal: não conhece a família de Vaccari e nunca realizou nenhum depósito na conta de Nayara. Foi esclarecido prontamente que o valor questionado havia sido um depósito feito pela sua mãe, conforme provado pela movimentação bancária de ambas.

Entretanto, mesmo assim, os procuradores da Lava Jato vazaram, seletivamente, a informação para a imprensa. Aliás, essa tem sido uma prática corriqueira da operação, comandada por agentes públicos que notoriamente tentam atingir a imagem de Vaccari e do PT.

Essa é mais uma suposição comprovadamente infundada com relação ao Vaccari. Porém, essa evidência parece não interessar à mídia. Destacaram em suas manchetes que a filha de Vaccari havia tido um ‘significativo incremento patrimonial’, mas não deram destaque proporcional às verdadeiras informações. O tal incremento patrimonial corresponde à aquisição de um imóvel, algo comum na vida de milhares de brasileiros.

Mas, agora, quem vai reparar o dano que os procuradores da Lava Jato, amparados pela imprensa, cometeram? Será que a Justiça fará justiça?

Enquanto isso, aguardamos a decisão de Sérgio Moro sobre a revogação da prisão preventiva de Vaccari, uma vez que todas as acusações contra o ex-tesoureiro do PT foram esclarecidas por sua defesa.

*Leia a matéria que saiu no Correio Popular, jornal da região de Campinas, sobre a retificação do erro.

João Vaccari Neto: uma liderança que marcou minha vida

Vagner Freitas, presidente da CUT, relata, em um depoimento emocionante ao blog “A verdade sobre Vaccari”, a importância desse líder sindical em sua trajetória

João Vaccari Neto é um dos companheiros mais solidários e generosos que conheci na minha vida. Vaccari é um homem de família. É um paizão, um grande marido e amigo de todas as horas. Cortou meu coração saber que ele foi avô e ainda não teve a oportunidade de conhecer o seu neto, um desejo que tem guardado há tanto tempo.

Vaccari é extremamente humano, justo e sensível. Quem não o conhece diz que tem cara de durão. É só aparência. O que não podemos negar é que ele  tem personalidade e posicionamento fortes e, por isso, arrumou, ao longo da sua trajetória, muitas desavenças políticas. Ele é duro na política, pois é um homem de opinião, de posição e extremamente inteligente. Porém, nunca deixou que qualquer divergência política interferisse nas suas relações pessoais. E isso é uma das coisas que mais admiro no Vaccari. Ele nunca negou apoio político ou humano a ninguém, nem mesmo aqueles com quem teve fortes divergências política ou sindical. Vaccari não guarda rancor, ele é um ser humano justo.

Recordo-me de uma passagem em que ele me ensinou o seguinte: nunca abandone um companheiro. Era 1991. Entrei justamente nesse momento para a direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, quando formamos uma chapa para a disputa eleitoral. Um dos nossos companheiros, que tinha sido diretor do sindicato desde 1985, apoiou a chapa 2, de oposição, fazendo forte campanha contra nós. Vencemos a eleição e passado um tempo o Vaccari convidou esse mesmo companheiro para trabalhar com ele. E isso não é qualquer dirigente que faz. Somente um dirigente como Vaccari é capaz de ter atitudes como essas. E ele ainda dizia: “Vagner, nunca vire as costas para companheiros que sempre lutaram pelos trabalhadores. Quem esteve na trincheira e cumpriu tarefas, precisa ser respeitado”.

Assim como são as relações verdadeiras, também briguei muito com Vaccari quando entrei para o sindicato. Eu ia nas reuniões – e na época era um jovem radical que adorava fazer intervenções ideológicas – e Vaccari era sempre curto e objetivo. Ele não tinha muita paciência para discursos longos. Um dia virei para ele e perguntei: “Por que você corta as intervenções, não é socialista como diz?”. E Vaccari me respondeu: “Eu construo o socialismo diariamente. Eu não falo de socialismo, não filosofo. Eu construo o socialismo quando defendo e organizo os trabalhadores para enfrentar a burguesia. Vocês precisam parar de falar e começar a fazer. Vão para a base defender os trabalhadores”. Esse é o Vaccari.

E foi com ele que aprendi também a essência do conceito de honestidade. Ele é uma das pessoas mais honestas com quem convivi. Vaccari sempre teve o padrão de vida de acordo com a sua remuneração. Nada que fugisse à regra. Assim ele agia na sua vida pessoal e sindical. Vaccari sempre teve um respeito extraordinário pelos trabalhadores e o patrimônio dos trabalhadores que representava. Ele constantemente ressaltava: “Dirigente é apenas um preposto dos trabalhadores. Você só trabalha para os trabalhadores. É neles que você deve sempre pensar, é para eles que tem de prestar contas”.

Vaccari cunhou uma frase que me marcou como dirigente e foi mais uma das inúmeras lições que me deu. Lula acabava de ser eleito, em 2002, e Vaccari, nesse momento presidente do Sindicato dos Bancários, dizia: “sindicato é para ‘sindicatiar’. Quem está no governo que governe e quem está no partido que toque as atividades do partido. Nós vamos ‘sindicatiar’”. Ou seja, ele queria nos mostrar que nossa luta deve sempre se pautar pela defesa dos trabalhadores.

E o Brasil e os trabalhadores podem ter a certeza de que Vaccari não nos envergonha. Não há culpa nem tampouco prova contra ele. Vaccari é um preso político. Ele não fazia nada além do que era a sua função como tesoureiro do PT, que é arrecadar recursos oficiais para o partido. Vaccari está preso pelas conquistas que o Partido dos Trabalhadores teve nos últimos anos. Há uma necessidade da direita de destruir o PT e cassar o seu registro, pois, querendo ou não, o PT ainda é um importante instrumento de luta na defesa dos trabalhadores.

Deixo aqui registrada a minha solidariedade ao Vaccari, à sua esposa Gigi, à filha Nayara e a toda família que está sofrendo nesse momento. Vaccari é um guerreiro. Sei que ele é forte e está preparado para passar por esse momento difícil. Ele está preso ilegalmente e não está fora da briga. A justiça será feita e João Vaccari em breve estará entre nós para exercer novamente sua liderança e ser o pai de família e amigo que sempre foi.

Assine o abaixo-assinado pela liberdade de João Vaccari

É crescente o número de pessoas que não conseguem aceitar o prolongamento indevido da prisão de João Vaccari Neto. Ele sequer é o alvo. Vaccari é vítima de perseguição política. E é justamente por essa compreensão e convicção que amigos, colegas de trabalho, militantes sindicais e partidários criaram um abaixo-assinado para reivindicar que o ex-tesoureiro do PT possa responder seu processo em liberdade.

Conforme aponta o documento, “a prisão é a exceção e a regra é a liberdade”, por isso exigimos: “quer pelo princípio de presunção de inocência, quer pelo princípio da ampla defesa e do contraditório, João Vaccari Neto pode e deve responder esse processo em liberdade”.

Assine também e nos ajude a mostrar a verdade sobre Vaccari: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR82328

Sobre a honra…

Quem vai devolver à família o orgulho de ostentar o sobrenome Vaccari?

Desde criança aprendemos com nossos pais que devemos honrar a história e, em especial, o nome da nossa família. “É tudo o que temos”, dizem eles. Somos orientados sobre como temos de nos comportar para sermos tratados como pessoas ‘de bem’ que merecem respeito ao sobrenome que carregamos.

Descobrimos desde cedo que temos de ser honestos, trabalhadores, solidários, corretos com nossos amigos e colegas de trabalho. Temos de pagar todos os impostos e dívidas que fizermos – nada de nome sujo na praça, nada de nome na lista de inadimplentes do SPC. É nossa obrigação fazer tudo para ser uma pessoa digna do nome da família que ostentamos com orgulho, seja Souza, seja Silva, seja Vaccari. Essa, afinal, é a herança que deixaremos para nossos filhos e netos. É a herança que recebemos.

Esse sentimento de honra, de grandeza, de glória, de virtude e de probidade, é o orgulho de todos que lutam para manter os valores, os princípios morais e éticos passados de pais para filhos, especialmente entre as famílias menos abastadas que dão muito duro para criar e educar os filhos e se esforçam diariamente para construir e manter uma reputação ilibada. É a herança que deixarão.

A questão é tão importante que até a legislação brasileira tem um item que estabelece a proteção à honra dos cidadãos. Quem for ofendido, diz a Lei, pode recorrer à Justiça alegando injúria, calúnia, difamação. Em alguns casos, até ganham essas ações. Difícil mesmo é resgatar o respeito da sociedade, limpar o nome da família, especialmente quando os detratores são um juiz, um policial federal, um procurador da República e, para piorar, o fazem com o apoio dos donos das rádios, televisões, jornais impressos e revistas, que costumam tratar seus oponentes de forma sensacionalista, hipócrita e com uma dose enorme de má-fé.

Quantos brasileiros sabem, por exemplo, que o Supremo Tribunal Federal inocentou formalmente Luiz Gushiken, submetido a todas as acusações possíveis de envolvimento com corrupção, exposto nos meios de comunicação burgueses durante anos? Pois é, ele nunca participou de nenhum esquema de corrupção, muito pelo contrário, sempre se comportou com a mais absoluta correção e ética em todos os cargos que ocupou e em sua vida pessoal e familiar. Mas, a notícia sobre sua inocência foi dada somente em cantos de páginas de jornais impressos e em notas telegráficas de telejornais e rádios.

Num site da comunidade japonesa, um jornalista disse que, como um samurai, Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”. Fica a pergunta: quantos dos brasileiros que assistiram e ouviram jornalistas, analistas e comentaristas execrarem a imagem de Gushiken ficaram sabendo que ele é inocente, honrado, digno e que foi apenas atropelado pela imprensa e pelos investigadores/acusadores?

Ele, assim como Vaccari, foi barbaramente ofendido em sua honra. E isso, diz a Lei, é um fato típico e antijurídico. O Estado, que tem obrigação precípua de tutelar a individualidade de cada pessoa, pode punir o ofensor e caluniador, reforçam os especialistas em direito.

O que a Lei não prevê é, depois de ser exposto de maneira abominável, canalha e repulsiva como ladrão, desonesto e corrupto, justamente por aqueles que deveriam garantir o cumprimento das leis, o que um cidadão pode fazer? Pedir direito de resposta nos horários nobres dos telejornais, nas primeiras capas dos jornais impressos? Entrar com uma ação na Justiça por danos morais?

É impossível uma pessoa cumprir o que prometeu aos pais de defender e honrar o nome da família quando se é vítima de uma campanha difamatória infame e brutal como a que João Vaccari Neto está sofrendo, como a que tantos petistas veem sofrendo nos últimos anos, única e exclusivamente porque fazem parte do partido que priorizou e jogou luzes sobre os mais necessitados, aquelas pessoas invisíveis que a elite não queria enxergar.

É sobre uma releitura da luta de classes no Brasil que estamos falando. É sobre como a dignidade e a vida de um ser humano e de uma família honrada podem ser usadas de maneira torpe na luta política de um País que ainda não consolidou a democracia nem tampouco aprendeu o valor de se combater as desigualdades para se criar uma nação mais justa e para todos, independentemente da coloração partidária.

O que a imprensa chama de ‘caso Vaccari’ escancara o uso político que juízes e promotores estão fazendo de suas funções. Eles se desviam de suas atribuições constitucionais, se submetem a orientações de partidos políticos e à pauta da grande mídia para atacar um partido e seus representantes, relegando a Lei e a Justiça a um segundo plano. A vítima dessa conspiração enfrenta uma batalha perdida, injusta e desigual. Esse é o caso de João Vaccari Neto. Isso pode acontecer com você amanhã. Isso pode acontecer com todos que não perceberem que é preciso lutar para restabelecer a Lei e a Ordem, restabelecer a verdade dos fatos, não permitir que tantas famílias carreguem o peso da desonra provocada por falsas e jamais comprovadas acusações.