Estadão, Lava Jato e Vaccari, tudo a ver

Editorial do Estadão explica a real ameaça à Lava Jato

No dia 4 de maio de 2017, o Estadão publicou um editorial em que aponta os excessos da Lava Jato e afirma que a operação “corre riscos, mas não os que denunciam seus integrantes. A ameaça está no comportamento imperioso de procuradores e na absurda demora do STF para julgar.”


É inacreditável que o Estadão, defensor ferrenho da operação do fim do mundo, enfim reconheça um fato que vem sendo denunciado há anos por juristas, advogados e especialistas. Isso demonstra que, conforme o tempo vai passando, fica cada vez mais difícil sustentar teses frágeis que mantêm pessoas na prisão sendo que deveriam estar soltas, respondendo à Justiça em liberdade, como prevê a lei. É o caso, por exemplo, de José Dirceu – e isso até o reacionário Estadão reconhece.

Sobre o Dirceu, o editorial do jornal
tucano faz a seguinte afirmação: “Ademais, ao suporem que Dirceu pode cometer novos crimes ou comprometer as investigações se ficar solto, os procuradores confessam que, desde agosto de 2015, quando o petista foi preso, não foram capazes de avançar em seu trabalho, que teria continuado vulnerável à intervenção de Dirceu.”

O que o Estadão fez questão de ignorar é que os questionamentos acima cabem como uma luva de tortura no caso do João Vaccari, que foi preso em abril de 2015 por ser o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT).

Dois anos, qualquer criança sabe, é tempo suficiente para que os procuradores da Lava Jato pudessem ter avançado em seu trabalho, feito as investigações necessárias e apresentassem provas que corroborassem as denúncias feitas contra Vaccari. Mas, o que conseguiram até agora? Nada de nada.

Saiba mais: O “crime” de Vaccari

Devastaram a vida do ex-tesoureiro do PT, devastaram também a vida de seus familiares, e até mesmo invadiram a sede do partido atrás de provas. Não encontraram nada que o incriminasse. O pretexto que os acusadores estão usando contra Vaccari são as delações premiadas de réus confessos que hoje estão soltos e desfrutando parte do dinheiro que assumiram ter desviado da Petrobras. Alguns delatores chegaram até a inocentar Vaccari.

Vaccari absolvido em duas ações
Paralelo a todo esse processo, Vaccari foi absolvido em duas ações movidas pelo Ministério Público de São Paulo contra diretores da Bancoop, ambas com conotação política. Uma levou cerca de 10 anos entre investigação e sentença. Na segunda, que envolvia os empreendimentos transferidos à OAS, Vaccari e demais diretores foram ABSOLVIDOS SUMARIAMENTE pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por SUPOSTO crime de estelionato em quatro grandes empreendimentos da Bancoop, entre eles o Condomínio Solaris, no Guarujá.


A acusação, como ficou evidente, era para ser usada eleitoralmente contra o PT, contra Lula e contra Vaccari.

Vaccari é inocente
João Vaccari Neto não cometeu nenhum crime, mas continua preso unicamente por ter sido tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que a direita quer exterminar para acabar com os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, e continuar explorando o povo brasileiro pelo resto de suas vidas.

E o que isso tem a ver com o editorial do Estadão? Para não parecer conversa fiada de quem tem interesse no processo, o editorial do jornal parece ser um exemplo razoável para mostrar que Vaccari não está solto ainda devido, única e exclusivamente, ao autoritarismo dos integrantes da Lava Jato e a sanha reacionária dos que querem acabar com o PT.

Pedir liberdade para João Vaccari é apenas uma questão de justiça, de direito, de assegurar o que está previsto na lei.

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A real ameaça à Lava Jato

A Lava Jato corre riscos, mas não os que denunciam seus integrantes. A ameaça está no comportamento imperioso de procuradores e na absurda demora do STF para julgar

O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 03h05


Assim que a 2.ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por 3 votos a 2, concedeu habeas corpus em favor do ex-ministro José Dirceu, condenado em primeira instância no âmbito da Lava Jato e preso preventivamente, os procuradores da operação anunciaram, mais uma vez, que todo o esforço da luta contra a corrupção estava sob risco.


É compreensível que os integrantes da Lava Jato procurem defender seu trabalho daquilo que enxergam como ameaça, mas a operação não é tão frágil quanto fazem parecer os procuradores. “Entendo que de modo algum a Operação Lava Jato está comprometida”, comentou o ministro Celso de Mello, um dos votos contrários à concessão do habeas corpus. Para o decano da Corte, o que se espera da Lava Jato é que aprofunde as investigações, “uma vez respeitadas as garantias que a Constituição e as leis da República estabelecem”.


O importante a salientar no caso de Dirceu e de dois outros condenados em primeira instância que foram soltos pelo Supremo – o pecuarista José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu – é que, conforme entendimento do STF, há excesso nas prisões preventivas na Lava Jato, que funcionariam como execução antecipada de pena.


No caso de Dirceu, o Ministério Público Federal considerou que se está diante de um condenado com “notória periculosidade”, demonstrada pela “habitualidade criminosa”, que continuou mesmo depois da condenação no mensalão. O Supremo, porém, fez prevalecer a presunção da inocência até a apreciação de apelação de sentença condenatória.


Ademais, ao suporem que Dirceu pode cometer novos crimes ou comprometer as investigações se ficar solto, os procuradores confessam que, desde agosto de 2015, quando o petista foi preso, não foram capazes de avançar em seu trabalho, que teria continuado vulnerável à intervenção de Dirceu. Tanto é assim que a Lava Jato entrou com nova denúncia contra José Dirceu no mesmo dia em que o Supremo analisava o pedido de habeas corpus – uma “brincadeira juvenil”, como classificou o ministro Gilmar Mendes.


A inquietação dos procuradores da Lava Jato com a soltura de Dirceu resultaria da percepção de que essa decisão seria um indicativo de que outros presos importantes poderiam ser libertados. Se existe, tal preocupação revela que, ao contrário do que sempre sustentaram, os procuradores apostam nas prisões para obter dos condenados as informações que buscam, por meio de delação premiada. Os membros da força-tarefa dariam a entender, portanto, que, se não conseguirem manter atrás das grades os figurões do petrolão, não induzirão os potenciais delatores a dizerem o que sabem e, por isso, será interrompido o fluxo de informações que abastece a operação.


Ora, como ficou claro até aqui, os delatores só decidiram falar quando ficou evidente que passariam muito tempo na prisão se não colaborassem. Ou seja, não era a prisão preventiva que os amedrontava, e sim a possibilidade de ficar muitos anos – talvez a vida inteira – na cadeia. Portanto, sob esse aspecto, pouco importa se Dirceu e outros personagens estão presos, e sim a qualidade da investigação em si. Quanto mais indícios forem reunidos, maior será a colaboração dos que têm algo a contar.


A Lava Jato, porém, há muito tempo parece ter deixado de ser uma investigação policial. A operação parece prisioneira da presunção de que tem um papel a desempenhar no futuro da política e da Justiça no Brasil, razão pela qual qualquer ponderação que ponha em dúvida seus métodos e suas certezas será vista como manobra contra seu prosseguimento. O discurso messiânico de alguns de seus principais integrantes sugere que, para eles, todas as instituições do País estão apodrecidas, com exceção do Ministério Público. Em sua ânsia de sanear o País, a Lava Jato comete erros – e um deles deu um gostinho de vitória a José Dirceu, um dos personagens mais nefastos da história brasileira.


A Lava Jato corre riscos, sim, mas não os que são denunciados por seus integrantes. A maior ameaça está no comportamento imperioso de alguns procuradores e na absurda demora do Supremo para julgar os casos que lhe competem. É isso – e não a revogação da prisão de alguns réus, de acordo com o que manda a lei – que contribui para desacreditar a Justiça.

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Com a palavra, a verdade

NOTA À IMPRENSA

Em relação a matéria “Gráfica ligada ao PT girou R$ 67 mi em cinco anos, aponta PF”, divulgada nesta quarta-feira (22) no blog do jornalista Fausto Macedo, no site Estadão, assinado por Julia Affonso, Valmar Hupsel Filho e Ricardo Brandt, a Editora Gráfica Atitude Ltda esclarece:

1.   A Editora Gráfica Atitude, fundada em 2007, não funciona como gráfica e sim como editora com o objetivo de viabilizar um projeto de comunicação construído em conjunto por entidades sindicais e movimentos sociais para levar à sociedade informação de qualidade e fortalecer a luta dos trabalhadores e sua participação maior em assuntos relacionados ao seu cotidiano.

2.   A Editora Atitude é formada por 40 entidades sindicais que escolheram o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para representa-los. Localizada no centro de São Paulo, sua estrutura é composta por 34 profissionais que integram a equipe.

3.   A Editora Atitude é uma empresa privada que produz conteúdo jornalístico para vários veículos, sem vínculo partidário. Seu conteúdo é focado no mundo do trabalho, no emprego, no crescimento econômico do País com inclusão social, nos direitos humanos e na defesa da cidadania do povo brasileiro.

4.   A matéria publicada pelo site ignora os depoimentos de diretores, funcionários e coordenadores da Editora Atitude, prestados no mês de julho, perante à justiça, onde foram esclarecidas as demandas com total  transparência.

5.   As transações financeiras da Editora passam por uma única conta corrente e sua contabilidade é retratada nos respectivos extratos. Entre junho de 2010 a abril de 2015, a Editora teve receita média de R$ 6,1 milhões/ano (o que totaliza R$ 33 milhões no período) para custeio de despesas com a folha de pagamento e produção jornalística, valor este totalmente compatível com as atividades prestadas.

6.   Não é verdadeira a informação de que seriam depositados em espécie (em dinheiro) na conta Editora Atitude R$ 17,95 milhões entre dezembro de 2007 e março de 2015. Não há nenhuma movimentação financeira em dinheiro feita pela Editora e todos os depósitos ocorrem por meio de cheques cruzados e nominais.

7.    A matéria também erra ao relacionar a Odebrecht com a Editora Atitude. Em relação a reunião organizada a pedido do ex-Presidente Lula em 2012, tratou-se de evento realizado entre sindicalistas e empresários para debater a conjuntura nacional, absolutamente comum no meio político e empresarial.

8.   A Editora contesta a publicação do Estado de São Paulo que apresenta relatório policial confidencial, expondo dados pessoais de jornalistas e dirigentes sindicais.

9.   A Editora Atitude reafirma que toda a receita da empresa destina-se ao custeio das atividades de produção jornalística.

Editora Gráfica Atitude Ltda

Leia também: Mais manchetes criminosas para atingir Vaccari e o PT

Mais manchetes criminosas para atingir Vaccari e o PT

Jantar, gráfica e mensagens. Factoides criados para destruir o legado de lideranças políticas honradas e de um partido que mudou a vida dos brasileiros na última década

Interpretações distorcidas, descontextualizadas e com o claro objetivo de usar informações velhas para atingir o partido frente a Presidência da República e destruir a carreira de todos os políticos petistas. Esse é o resumo das últimas publicações requentadas do Estadão a respeito do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e lideranças sindicais respeitadas que nada têm a ver com a Operação Lava Jato.

Publicadas no Blog do Fausto Macedo, parceiro assíduo dos vazamentos seletivos da turma da Lava Jato, as matérias, assim como o relatório da Polícia Federal, prestam um desserviço à sociedade e confundem a opinião pública ao se basear em suposições e mais suposições.

O roteiro da má-fé

“Presume-se”, “possivelmente”, “é possível que” e “pode ser”, sem contar o tal ‘suposto’, são os termos utilizados o tempo todo e transformados em fatos concretos nas manchetes. Mais do que isso. Fazem ilações absurdas entre supostas acusações de corrupção com a simples presença em um jantar. É mais do que patético, é criminoso.

É ou não é um absurdo a história da vez? Nas mensagens apreendidas no celular de Marcelo Odebrecht os policiais identificaram a palavra “vaca”. Logo, na interpretação certeira dos paladinos da moral e da justiça, “vaca” corresponderia a Vaccari.

Atente agora para esse trecho da matéria: “Na mesma anotação, de 9 de janeiro de 2013, há também um tópico específico sobre “créditos”, no qual há referência de porcentagens de 3% seguidas dos nomes “Vacareza”, uma possível referência ao ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza”.

Parece piada de mal gosto, mas não é. Vejam a manchete que o Blog do Fausto Macedo fez questão de cravar: Anotações de Marcelo Odebretcht relacionam Vaccari a obras.

Será que o repórter tem certeza de que ‘vaca’ não pode estar relacionado ao termo “a vaca foi para o brejo”?

Vaccari já provou – inúmeras vezessua inocência. Será que Fausto Macedo pode apontar uma prova concreta sem espetáculo midiático que sustente as suposições, o “pode ser” ou o “presume-se” que ele faz todos os dias em seu blogue?

Estamos aguardando!

Mas os absurdos do dia não param por aí.

Jantar: mais um factoide

É uma hipocrisia que beira a insanidade. A mídia e a turma da Lava Jato tentam transformar em prova de crime um jantar do qual participaram Lula, Marcelo Odebrecht, Abílio Dinis, Roberto Setúbal, Jorge Gerdau, Luis Carlos Trabuco, entre outros. O tema: análise econômica.

Aécio, Alckmin e FHC podem jantar com Marcelo Odebrecht para pedir dinheiro para campanha eleitoral do PSDB, que a imprensa traduz como: ”tentar impulsionar a campanha do tucanato, numa espécie de força-tarefa de políticos e empresários”. Lula ser convidado para um jantar é crime. É isso mesmo? Sobre o jantar dos tucanos, confira a matéria de Gisele Vitória, na IstoÉ, intitulada O jantar para Alckmin e a força-tarefa de FHC para levantar Aécio.

O crime de Lula, presidente compromissado com a classe trabalhadora e os mais pobres, foi levar para um jantar na casa da elite dois sindicalistas, Juvandia Morandia Leite, presidente do Sindicato dos Bancários, e Sérgio Aparecido Nobre, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Logo viram a possibilidade de fazer malandragens absurdas para sustentar nova manchete. E assim Fausto Macedo cravou: Gráfica ligada ao PT girou R$ 67 mi em cinco anos, aponta PF.

O leitor mais atento irá perguntar: mas o que a manchete tem a ver com o jantar? É isso mesmo. A intenção é confundir. Fazem a seguinte ligação: sindicalistas, que também são administradores da Gráfica Atitude, estavam presentes no jantar. Pronto. Gráfica ligada ao PT gira não sei quantos milhões em cinco anos. Ora, faça-me o favor.

Agora, eu me pergunto: quantas matérias sobre a privataria tucana este blogue fez? E sobre a corrupção na CPTM e no Metrô de São Paulo, lideradas pelos tucanos?

Já com relação à suposta ligação de Vaccari com a gráfica, acesse o dossiê na íntegra com as verdades sobre Vaccari. Esse questionamento já foi respondido mais de uma vez. João Vaccari Neto, como tesoureiro, fez solicitações para que depósitos fossem feitos a título de doações ao partido, em contas bancárias registradas e aprovadas pelo TSE.

Com a palavra, a verdade

Confira aqui a nota à imprensa da Editora Gráfica Atitude Ltda.