Síndrome de celebridade atinge toda a turma da Lava Jato

Representante do Ministério Público rebate com ironia e desfaçatez o argumento da defesa do presidente da Andrade Gutierrez. Força-tarefa da Lava Jato parece a sucursal da Veja no Paraná

A Operação Lava Jato sobrevive de manchetes e isso já não é novidade. A necessidade de juízes e procuradores de pronunciar convicções pessoais aos holofotes da mídia deixa escapar alguns detalhes que ajudam a compreender porque insistimos que a operação é política e que a obsessão é “pegar” o Lula.

Vejam só…

O ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, relator de recursos da Operação Lava Jato no Superior Tribunal de Justiça, autorizou o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, a responder o processo em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Ao votar, o relator afirmou que não há elementos concretos de que o executivo poderia prejudicar a coleta de provas. “O fundamento de risco à ordem pública não se sustenta. (…) O juiz não expôs indícios concretos que ele atua no seio da liderança da organização criminosa.”

Reparem agora na resposta de um representante do Ministério Público aos argumentos utilizados pela defesa do empreiteiro e reproduzida pelo Portal G1:

Ele ironizou o fato de a defesa afirmar que, como presidente da holding, não necessariamente Azevedo teria conhecimento da corrupção.

“Talvez esse seja o segundo brasileiro que não sabe de nada, tem um outro brasileiro que diz que não sabe de nada”, afirmou.

Essa resposta é um desrespeito e uma afronta à democracia e às instituições do País. Convicções e desejos pessoais de procuradores é o que está prevalecendo na Lava Jato e isso se torna nítido a cada deflagração de uma nova etapa – afinal, a Lava Jato é eterna.

Procuradores mandam recados pela imprensa de maneira sórdida, desrespeitando o amplo direito de defesa e se comportando como colunistas raivosos que adoram destilar semanalmente todo o ódio ao PT e ao ex-presidente Lula.

Como bem sintetizou Jessé Souza, sociólogo e presidente do Ipea, o judiciário passou a deter todos os elementos que as Forças Armadas tinham quando o golpe de 1964 instaurou a ditadura militar no Brasil. “Não é eleito pelo povo, faz de conta que interpreta coisas que não têm a ver com a política e o jogo econômico e se põe acima do bem e do mal. O juiz justiceiro hoje em dia é o substituto do general entre nós. Não é mais o militar, a metralhadora, é o aparato jurídico.”

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