Operação Lava Jato: delatou, está livre!

modus operandi do juiz Sergio Moro é conhecido desde o caso Banestado: é só delatar que o réu é imediatamente libertado. Não precisa se basear na verdade dos fatos, não precisa nem provar o que está delatando, basta contar uma história que possa servir de manchete à maioria dos jornais do País.

E o destaque da vez foi “Ex-executivo da Odebrecht diz que gerenciava fortuna de Duque”. Quando você lê o primeiro parágrafo, logo descobre que o tal ex-executivo, João Antonio Bernardi Filho, não trabalha mais para a Odebrecht desde 2002 (Mero detalhe, não?!?).

A princípio, pareceu estranho, afinal já é público que a obsessão de Moro é investigar a Petrobras a partir de 2003, apesar do ex-gerente Eduardo Musa ter afirmado a sua excelência que propinas na estatal remontam a 1978. Mas depois, ao ver que o advogado responsável pela delação é Marlus Arns de Oliveira, as coisas começaram a fazer um pouco de sentido.

Marlus é o advogado que “substituiu” a recordista em delação premiada Beatriz Catta Preta. A história dela é, no mínimo, curiosa. Depois de fechar nove acordos de delação de investigados pela Lava Jato com o Ministério Público e ganhar milhões de reais, abandonou a Operação de uma hora para outra e foi morar em Miami.

Todos os clientes de Catta Preta se livraram da prisão, independentemente da gravidade do crime que cometeram. Até o relatório da CPI da Petrobras estranha essa capacidade extraordinária da advogada em conseguir soltar seus clientes. “Todos os acusados da Lava Jato que a ela recorreram estão livres”, aponta o documento, que recomenda “aprofundar as investigações para esclarecer os acontecimentos que resultaram no abandono dos processos pela advogada.”

Até o início da Lava Jato, Marlus Arns fazia parte do coro de críticos do uso da delação premiada. Mas, como é possível perceber, mudou radicalmente de ideia.

Ele é o mesmo advogado que assinou o acordo de outros delatores, como os ex-executivos da Camargo Corrêa, Dalton Avancini e Eduardo Leite, e – outra curiosidade que envolve a Lava Jato -, estava negociando um possível acordo de delação do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que agora é o principal acusado pelo então ex-executivo João Bernardi Filho, liberado por Moro nesta segunda (26) após delação negociada pelo mesmo Marlus Arns.

Quer conhecer mais detalhes da história deste advogado?

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