Lava Jato: o PT é o alvo (parte 4)

A tarja preta no relatório da Polícia Federal, mais do que esconder o nome do tucano José Serra, esconde que, não importa o que seja ou o que foi feito, o PT, seu governo e a Petrobras devem ser afetados em benefício das petroleiras americanas e em detrimento do povo brasileiro. Esta é a quarta publicação de uma série de textos que mostram que a “Operação Lava Jato” é parte de uma ação orquestrada para prejudicar a imagem da esquerda e do principal partido que a representa, o Partido dos Trabalhadores. Acompanhe neste blog a série completa.

Escondidos pela “tarja preta”

O jornal O Estado de S. Paulo publicou o Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 417 na íntegra. A análise foi feita em mensagens cifradas encontradas no celular de Marcelo Odebrecht com o objetivo de identificar o significado dos códigos utilizados nas mensagens. A sigla “JS” foi identificada como sendo o senador José Serra (PSDB-SP). No entanto, todas as menções ao senador foram escondidas sob tarjas pretas.

tarja preta 1

Com os atuais recursos tecnológicos, mesmo escondidos sob tarjas pretas, o nome do senador tucano foi facilmente encontrado no relatório.

tarja preta 2

Mas, muito mais do que um nome, a forma como é conduzida a “Operação Lava Jato” é uma tarja preta a esconder as reais intenções dos ataques à Petrobras.

O primeiro objetivo é desmoralizar o PT e seu governo. É prejudicar a imagem do partido e impingir-lhe a pecha de corrupção, má-gestão, falta de ética e incompetência.

Escondidos pela tarja preta, os tucanos, sinicamente, sentem-se no direito de vir a público para falar que “perdeu a eleição para uma ‘organização criminosa’”. Chega a ser patético.

Os ataques também visam a prejudicar a imagem da Petrobras. Desvalorizá-la e incutir na cabeça da população a ideia de que é melhor privatizar a empresa ou pelo menos acabar com o atual modelo de partilha dos royalties de petróleo.

Conforme revelado pela Wikileaks, em 2009, o Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro enviou a Washington um longo telegrama intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”. Este e outros cinco comunicados mostram como os Estados Unidos vinham acompanhando a elaboração das regras para a exploração do pré-sal e como fazem lobby pelos interesses das petroleiras americanas, inclusive com atuação no Senado brasileiro. Uma das mensagens cita que Patrícia Padral, diretora da petroleira americana Chevron do Brasil, afirma que o tucano José Serra se comprometeu em mudar as regras caso fosse eleito presidente.

Logo depois da apresentação das primeiras propostas para a regulação do pré-sal, o telegrama datado de 27 de agosto de 2009 mostra que a indústria de petróleo americana vê a exclusividade na exploração do pré-sal pela Petrobras como um problema, pois as petroleiras daquele país não poderiam ser “donas” do petróleo. Além disso, a diretora de relações internacionais da Exxon Mobile, Carla Lacerda, destaca que “a Petrobras terá todo o controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos”.

Um dos documentos detalha um diálogo dos americanos com Serra, que teria dito: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava (…) E nós mudaremos de volta”.

O economista tucano Geraldo Biasoto, um dos responsáveis pelo programa de governo de José Serra, confirmou que a proposta do PSDB previa a reedição do modelo anterior de exploração de petróleo.

Eleito senador nas eleições de 2014, o tucano logo tratou de apresentar um Projeto de Lei (PL 131/2015) para alterar as regras de partilha do pré-sal e beneficiar as petroleiras americanas, confirmando o que dizia o Wikileaks.

O senador tucano pediu que o projeto, que retoma o modelo anterior de exploração de petróleo, liberando às portas para a entrada das petroleiras americanas, tramitasse em regime de urgência. Derrubado a urgência, Serra vai constantemente à mídia para defender a proposta de abrir a exploração e diz que foi um erro o Senado derrubar o regime de urgência para a tramitação do projeto.

Este mesmo senador tucano teve seu nome escondido sob uma tarja preta, ou camuflado nas iniciais JS, em relatório da Polícia Federal sobre as siglas utilizadas por Marcelo Odebrecht para indicar políticos beneficiados por propinas pagas pela empresa.

O que vemos é que a tarja preta no relatório da PF, mais do que esconder um nome, esconde tudo o que está por trás da “Operação Lava Jato”. Esconde que, não importa o que seja ou o que foi feito, o PT, seu governo e a Petrobras devem ser afetados em benefício das petroleiras americanas e em detrimento do povo brasileiro.

Leia também:
Lava Jato: o PT é o alvo (parte 1)
Lava Jato: o PT é o alvo (parte 2)
Lava Jato: o PT é o alvo (parte 3)
Dossiê comprova detalhadamente a inocência de Vaccari
Sérgio Moro condena Vaccari e a democracia
Advogado de Vaccari emite nota pública e diz que irá recorrer da decisão

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s