Lava Jato: o PT é o alvo (parte 3)

Por que Furnas não pôde ser investigada e a Eletronuclear sim? Por que Sergio Moro não deixou o réu-confesso e seu delator oficial, Alberto Youssef, falar sobre a corrupção em Furnas? Esta é a terceira publicação de uma série de textos que mostram que a “Operação Lava Jato” é parte de uma ação orquestrada para prejudicar a imagem da esquerda e do principal partido que a representa, o Partido dos Trabalhadores. Acompanhe neste blog toda a série.

Eletronuclear X Furnas

O réu-confesso e delator Alberto Youssef, em depoimento prestado em 12/02/2015, denunciou o envolvimento do então deputado federal à época (atualmente senador) Aécio Neves (PSDB-MG) em casos de desvios de recursos de Furnas, empresa subsidiária da Eletrobras.

Segundo Youssef, Aécio dividia com o ex-deputado federal José Janene (PP-PR), falecido em 2010, os recursos desviados de Furnas. Youssef chegou a dizer que operava a parte que cabia a Janene e que uma irmã de Aécio operava a parte que cabia ao tucano de Minas. O juiz Sergio Moro o interrompeu e disse que a ação se referia à Petrobras e que Furnas estava fora de questão.

Como Moro não deixou Youssef falar o que sabia sobre Furnas, as informações não foram suficientes para que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, requisitasse inquérito para investigar Aécio. Para Janot, “os fatos referidos são totalmente dissociados da investigação central em voga, relacionada à apuração dos fatos que ensejaram notadamente desvios de recursos da Petrobrás. A referência que se fez ao senador Aécio Neves diz com supostos fatos no âmbito da administração de Furnas. Assim, do que se tem conhecimento, são fatos completamente diversos e dissociados entre si”.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, ao aceitar o pedido de “arquivamento” de denúncia contra Aécio, sugeriu que faltou investigação contra o tucano.

Mas, nem precisava. Sobre a corrupção em Furnas, a procuradora Andréa Bayão Pereira, em 25 de janeiro de 2012, já havia apresentado denúncia detalhando a prática de “Caixa 2”. O caso é famoso e ficou conhecido como “Lista de Furnas”.

O  jornalista Luiz Carlos Azenha publicou artigo com trechos da denúncia da procuradora, nos quais se pode ver não apenas detalhes dos crimes cometidos com os valores desviados, mas também os nomes dos beneficiários, entre eles o do atual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do ex-deputado cassado, Roberto Jefferson (PTB-RJ), de Andréa Neves, irmã de Aécio Neves (PSDB-MG) e dos tucanos paulistas José Serra e Geraldo Alckmin, entre outros. Mesmo com todas as evidências, o processo sobre a “Lista de Furnas” está parado, segundo o deputado Rogério Correia (PT-MG).

Estranhamente, depois de ter dito que Furnas não fazia parte das investigações, visto que estas eram sobre a Petrobras, quando o réu-confesso e delator Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa, acusou o almirante Othon Luiz Pinheiro, presidente licenciado da Eletronuclear, de recebimento de propina em contratos do consórcio Angramon, Sergio Moro permitiu que o delator falasse e, em sua decisão, informou que a investigação sobre a Eletronuclear é de sua alçada “em decorrência da conexão e continência com os demais casos da Operação Lava Jato”. E ainda completou: “dispersar os casos e provas em todo o território nacional prejudicará as investigações e a compreensão do todo.”

Com isso, Moro quer impedir que algum outro juiz tome uma decisão que vá contra as suas próprias decisões.

O consórcio Angramon é formado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Odebrecht, CNO, Queiroz Galvão e UTC. Foi constituído para participar de licitação para execução de serviços de montagem eletromecânica da usina nuclear Angra 3, administrada pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, assim como Furnas.

Eis que ficam algumas perguntas sobre a disparidade entre os procedimentos e interesses de investigação sobre Furnas e sobre a Eletronuclear, ambas subsidiárias da Eletrobrás:

  1. Por que Furnas não pôde ser investigada e a Eletronuclear sim?
  2. Por que o juiz Sergio Moro não deixou o réu-confesso e delator Alberto Youssef falar sobre a corrupção em Furnas?
  3. A interrupção deveu-se por que Aécio Neves (PSDB-MG) tem foro privilegiado?
  4. A irmã de Aécio, Andréa Neves também tem foro privilegiado?
  5. Por que Moro sequer interrogou Andréa Neves, assim como outros supostamente envolvidos?

São muitas as dúvidas…

Na última segunda-feira (5), Moro enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) os seis processos que tratam da Eletronuclear. Apesar de ter tentado evitar, ele foi obrigado a cumprir a determinação do ministro Teori Zavascki.

Leia também:
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