Lava Jato: o PT é o alvo (parte 1)

Este é o primeiro de uma série de textos que mostram que a “Operação Lava Jato” é parte de uma ação orquestrada para prejudicar a imagem da esquerda e do principal partido que a representa, o Partido dos Trabalhadores (PT), até mesmo entre pessoas simpáticas a ele e às suas políticas. Acompanhe neste blog toda a série.

Por que a Lava Jato ataca o PT?

Reiteradas vezes o PT sofreu ataques com o objetivo de incriminá-lo. Incriminar a esquerda não é novidade em nosso país. Basta consultar os livros de história para verificar que parte da elite, quando confrontada com períodos e governos mais democráticos e voltados aos interesses populares, recorre aos mesmos métodos golpistas de criminalização de um projeto ou uma figura política.

É preciso ter a clareza de que o ódio ao PT não é devido aos erros políticos do partido, mas aos seus acertos sociais, que contrariam interesses poderosos e desafiam preconceitos seculares.

Por isso, a reflexão precisa ir além da “Operação Lava Jato”. Esta operação é apenas mais um ataque dentre o histórico de perseguição que teve início no momento em que o partido se mostrou como uma força política que poderia disputar a hegemonia social.

A “Operação Lava Jato” faz parte de uma ação orquestrada, com apoio da imprensa – que por vezes tomou a frente das ações –, para destruir a imagem do partido. Nas urnas, o projeto do PT tem sido vitorioso. Por isso, setores derrotados recorrem à tentativa de cerco e aniquilamento do PT.

Histórico de ataques ao PT

Em Leme, no interior de São Paulo, em julho de 1986, um ônibus com 43 trabalhadores do corte de cana tentou passar por um piquete de greve e foi alvejado por disparos de arma de fogo vindos de um carro. Dois trabalhadores morreram e muitos ficaram feridos. Dois Boletins de Ocorrência foram anexados ao processo, um deles acusando o PT.

Na época, o Presidente da República, José Sarney, o chefe da Casa Civil, Marco Maciel, o ministro da Justiça, Paulo Brossard, e o chefe da Polícia Federal, Romeu Tuma, responsabilizaram, publicamente, o PT pelo ocorrido. Na apuração, não se verificou nada que pudesse relacionar o PT ao ataque.

Outro caso emblemático ocorreu em dezembro de 1989, quando um grupo sequestrou e manteve o empresário Abílio Diniz em cativeiro por uma semana. Nas imagens divulgadas, os sequestradores aparecem com camisetas do PT e a polícia diz que foram encontrados materiais de campanha do partido em poder dos criminosos. Posteriormente, os réus denunciaram que tiveram suas roupas rasgadas no momento da prisão e que foram obrigados a vestir camisetas do PT.

O fato é que, com seu tamanho e importância e defendendo propostas democráticas e populares, o PT é uma ameaça aos privilégios daqueles que sempre detiveram o poder político e ainda mantêm o poder econômico, ideológico e cultural em nosso país.

Chegada ao poder institucional

O enraizamento do PT junto aos trabalhadores, movimentos sociais e eclesiais garantiram ao partido uma base sólida, que logo o levou ao poder institucional. O partido chegou ao Poder Executivo em diversos municípios logo na primeira eleição após a reabertura democrática.

O mesmo ocorreu no Legislativo, fazendo com que o PT exercesse papel fundamental na conquista de direitos na Constituição Federal de 1988, assim como nas leis estaduais e municipais.

O destaque alcançado por seus membros nas casas legislativas e de suas administrações municipais e estaduais, que consolidaram o “modo petista de governar”, somado à proximidade e atuação conjunta com os trabalhadores e as classes populares, logo levou o partido a disputar eleições para a Presidência da República, tendo alcançado este objetivo nas eleições de 2002.

O “mensalão”

Dois anos após o início da gestão petista no Governo Federal, em 2005, iniciaram-se as ações para desestabilizar o governo e prejudicar a imagem do PT, com uma série de denúncias de corrupção envolvendo empresas estatais e privadas.

O deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) foi acusado de envolvimento em irregularidades na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios). Jefferson se sentiu traído e buscou se vingar com declarações de que havia um esquema de compra de votos no Congresso Nacional para que fossem aprovados projetos de interesse do governo.

O caso foi superexplorado pela mídia e pela oposição. A imagem do PT e de seu governo passou a ser vinculada com a corrupção e a falta de ética, vícios de nosso sistema político e social combatidos pelo PT desde seu surgimento.

A exposição midiática do caso foi tamanha que o então deputado federal Jorge Bornhausen (PFL/DEM-SC), se referindo ao PT, chegou a afirmar“…estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos.”

Bornhausen talvez tenha deixado escapar o seu ódio por influência dos ataques realizados pela imprensa brasileira, que, em diversas situações, tomou a frente do projeto de desestabilização do PT e de seu governo.

Nada restou comprovado contra o PT, seus dirigentes e quadros políticos na Ação Penal 470. O julgamento foi político e a decisão não poderia ser diferente.

Acatando a sugestão do então Procurador Geral da Justiça, Roberto Gurgel, que alegou que os réus tinham “domínio dos fatos”, um termo que não encontra respaldo na legislação brasileira, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF) acompanhou o voto do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, chegando a afirmar que: “…não tenho prova cabal contra Dirceu. Mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”.

A redação do voto de Rosa Weber foi feita à época – pasmem – pelo seu então assessor Sergio Moro, hoje o juiz federal responsável pelas ações da “Operação Lava Jato”.

Assim, a Ação Penal 470 inaugurou a condenação sem provas no Brasil pós-ditadura.

Continuidade do governo petista

O erro de avaliação de Bornhausen, baseado no “balão de ensaio” da imprensa, é facilmente percebido. Lula não caiu. Mais do que isso, foi reeleito Presidente da República em 2006 e elegeu sua sucessora em 2010, que foi reeleita em 2014.

A continuidade do PT no posto governamental mais alto do país é uma ameaça à hegemonia neoliberal não apenas no Brasil, mas na América Latina e no mundo.

Acesse aqui a íntegra da primeira parte do documento 

*Acompanhe no decorrer das publicações: financiamento de campanha; ligações de Moro com o PSDB; caso Banestado; crimes NA Petrobras e não DA Petrobras; entre outros. Após a leitura do material, os leitores, embasados em documentos e informações públicas, poderão entender o que está por trás dos ataques ao PT.

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