Novo indiciamento de Vaccari é vingança política

Suposições, ironias e perseguição resumem a nova ofensiva da Lava Jato contra João Vaccari Neto. Faltou apenas um elemento básico no relatório da PF: prova!

O ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, está sendo usado como instrumento de vingança política.

É estarrecedor acessar a íntegra do relatório da Polícia Federal e ler o “remendo” elaborado para justificar o novo indiciamento de Vaccari, tão alardeado pela imprensa nos últimos vazamentos seletivos da delação do lobista Milton Pascowitch.

Qualquer cidadão de bem deve se perguntar: mas se não tem nada de errado, por que tantas manchetes negativas no noticiário? É justamente aí que mora a estratégia. Na falta de provas, vamos ao julgamento midiático, que é mais poderoso e rápido do que qualquer investigação séria e sob sigilo de justiça.

Pela quantidade de matérias e a forma como tentam envolver o ex-tesoureiro do PT em narrativas “criminosas”, seria natural – após mais de um ano de alarde midiático – que no pedido de indiciamento apresentassem provas consistentes e clara ligação de Vaccari com atos ilícitos.

Afinal, desde abril a turma da Lava Jato mantém Vaccari preso sem uma prova sequer que sustente essa prisão injusta e ilegal. Mas, ao ler o relatório, chegamos mais uma vez à conclusão de que não existe NADA de errado na conduta de Vaccari. Absolutamente nada.

Pela milésima vez, concluímos o que a defesa reitera desde o início. Vaccari, na condição de tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, recebeu doações oficiais e legais. Tudo declarado e aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas vamos aos fatos e ao novo relatório da PF enviado diretamente para o Blog Porta-Voz da Lava Jato e para as redações dos jornalões.

A Polícia Federal sustenta que existe uma relação de pagamentos feitos por Milton Pascowitch ao João Vaccari, cujo destino final seria o PT. Não há nenhuma prova ou qualquer fundamentação de que esses repasses foram efetuados e ainda mais da maneira ilegal como sustentam em suas vazias argumentações.

A única relação apontada no relatório é uma lista de ligações feitas por Pascowitch ao ex-tesoureiro do PT ou à própria sede do partido.

Mas, pasmem…

Leiam o trecho em que a lista de ligações seria prova de algo para a PF de Curitiba:

“Embora não seja possível afirmar que as ligações entre MILTON x VACCARI tenham por objeto tratar do pagamento de vantagens ilícitas, parece difícil crer que o tesoureiro do PARTIDO DOS TRABALHADORES tivesse outro assunto a tratar com um operador de pagamento de propinas que não fosse seu recebimento dos ‘pixulecos’.” (p. 70)

Essa é a única argumentação apresentada contra Vaccari. Parece mentira ou piada de mal gosto, mas não é! Basta acessar o relatório para conferir a justificativa carregada de ironias e vazia de provas.

É bom mais uma vez deixar registrado que, durante toda a investigação, nada de irregular foi encontrado contra Vaccari. Pelo contrário, ele não foi apreendido com dinheiro, não tem conta no exterior, não enriqueceu e nem mesmo possui consultoria.

Vaccari é classe média e tem apenas uma conta corrente que, assim como as contas de sua esposa e filha, foi investigada na quebra de sigilo bancário e nada de irregular foi encontrado. Seu sigilo fiscal também foi quebrado e nada de ilícito foi identificado. Apenas transações normais de uma família de classe média, como é o caso da família Vaccari.

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Segundo o advogado de defesa Luiz Flávio Borges D’Urso, “até mesmo as delações, único elemento levantado pelo MPF e que não podem ser consideradas provas, conforme definição legal, são favoráveis ao Vaccari.”

Alegações finais da defesa comprovam que Vaccari é inocente

Mais uma vez, a tentativa com toda essa trama é gerar mais um fato midiático para atingir o PT por meio da destruição da honra e da dignidade de João Vaccari Neto.

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2 respostas em “Novo indiciamento de Vaccari é vingança política

  1. Para conhecimento, incluo abaixo carta endereçada a OAB.

    São Paulo, 31 de agosto de 2015

    Ilmo. Dr. Sinvaldo Firmo
    MD Presidente da Comissão da Verdade da Escravidão da OAB-SP
    Fiquei muito feliz pelo seu convite para colaborar, na condição de historiador, junto a Comissão da Verdade da Escravidão da OAB-SP e saúdo a importante iniciativa dessa seção estadual da Ordem. Trazer a luz mais de três séculos de escravidão e de violências correlatas perpetradas contra os africanos e seus descendentes, seqüestrados de sua terra natal para construir a riqueza no “novo mundo” certamente é tarefa fundamental e iniciativa que merece aplauso de todos que compreendem a necessidade de “passar a limpo” aquele tenebroso período, com as conseqüentes reparações, para que possamos seguir em frente rumo a uma verdadeira democracia racial, até aqui inexistente.
    Duas notícias recentes, todavia, obrigaram-me a rever a opinião de que a OAB-SP representa uma trincheira dos democratas na defesa dos direitos humanos e de enfrentamento aos ventos autoritários que – vez por outra – sopram no nosso País; nos dias em que vivemos originados em setores do Poder Judiciário e do Ministério Público: a cassação do direito do advogado José Dirceu de Oliveira e Silva trabalhar e a homenagem, travestida de seminário, ao juiz federal Sérgio Moro.
    Sou de opinião que aquele juiz, na condução da investigação denominada “Lava Jato” tem sistematicamente cometido atentados ao Estado de Direito e a democracia, desconsiderando a presunção de inocência dos réus, decretando prisões arbitrárias, estendendo indefinidamente prazos de prisões preventivas, abusando do instituto da delação premiada, promovendo uma investigação sem isenção e de caráter midiática, notoriamente partidarizada. E o mais grave de tudo; contribuindo para desacreditar a maior empresa do País, em um momento particular em que as grandes multinacionais ambicionam a colossal riqueza representada pelo “pré sal”.
    As prisões de diversos réus, em especial do advogado e ex-ministro José Dirceu e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores são um verdadeiro escândalo e fico pasmo que a OAB-SP não se solidarize com o ex-presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado de Vaccari, que no exercício da advocacia tem enfrentado vários impedimentos para garantir os direitos do seu cliente, e corrobore com as arbitrariedades do Poder Judiciário, cassando o direito ao trabalho de um advogado que sofre perseguição política.
    Considero que existe uma irreconciliável contradição entre criar uma comissão que se propõe um profundo mergulho nas injustiças representadas pela escravidão e uma entidade que se soma as injustiças atuais. E mais, passo a duvidar da honestidade de propósitos da criação dessa comissão por quem abdicou da luta contra injustiças, renegando sua própria história e desonrando juristas que no passado deram a própria vida em defesa da democracia.
    Por conta das questões elencadas, não seria coerente da minha parte continuar contribuindo com uma organização da sociedade civil que não apenas se omite frente os freqüentes atentados ao Estado de direito como ainda homenageia o principal protagonista daqueles atentados. Venho, portanto, por meio desta solicitar a exclusão do meu nome do rol de colaboradores da Comissão da Verdade da escravidão da OAB-SP.
    Respeitosamente
    Prof. Dr. Ramatis Jacino, Conselheiro Estadual da APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

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