Por que Aécio omitiu doação da Odebrecht ao TSE?

Relatório técnico da Justiça Eleitoral aponta também que o candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão da construtora Construbase, mas declarou somente R$ 500 mil

Enquanto setores poderosos da imprensa e do judiciário tentam a todo custo alardear supostos erros nas contas eleitorais de Dilma Rousseff e transformar em propina doações legais e oficiais ao PT, esquecem (ou não, é má-fé mesmo) de perguntar porque o candidato Aécio Neves (PSDB) não declarou doações de empresa citada na Lava Jato.

Quando o alvo é o PT, vale tudo: de investigação seletiva à prisão ilegal. Tentam, com manobras jurídicas e o espetáculo midiático, transformar procedimentos legais em ilegais para criminalizar única e exclusivamente as doações feitas ao Partido dos Trabalhadores.

– Por que o tesoureiro do PSDB e dos demais partidos não estão na cadeia?

A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora das contas da campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no TSE, pediu explicações a respeito de 15 supostas irregularidades nos documentos entregues pela campanha do tucano.

Entre as mais graves, está o fato de Aécio ter repassado ao PSDB uma doação de R$ 2 milhões da empreiteira Odebrecht, mas não ter registrado a transação na prestação de contas.

Confira a íntegra da matéria publicada no Brasil 247:

TSE: POR QUE AÉCIO OMITIU DOAÇÃO DA ODEBRECHT?

247 – A relatora da prestação de contas da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Maria Thereza de Assis Moura, solicitou do tucano explicações sobre 15 supostas irregularidades detectadas nos documentos entregues à corte.

Entre elas está o fato de Aecio ter repassado para o PSDB uma doação de R$ 2 milhões da Odebrecht, mas não ter registrado a transferência na prestação de contas.

“O comitê financeiro nacional para presidente da República do PSDB registrou em sua prestação de contas o recebimento de doação de R$ 2 milhões, efetuada pelo candidato, no entanto, não há o registro da transferência na prestação de contas”, afirma o relatório técnico da Justiça Eleitoral. A Odebrecht é uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato e seu presidente, Marcelo Odebrecht, está preso desde 17 julho.

Segundo dados divulgados pelo Estado de S. Paulo, além da Odebrecht, o TSE aponta também uma diferença entre o valor declarado pela campanha e o montante efetivamente doado pela construtora Construbase. O candidato tucano recebeu R$ 1,75 milhão, mas declarou R$ 500 mil.

A ministra Maria Thereza de Assis Moura quer saber também por que a campanha tucana declarou R$ 3,9 milhões em doações estimáveis apenas na prestação de contas retificadora.

Das 15 irregularidades detectadas pelo tribunal, pelo menos três foram consideradas infrações graves. Elas dizem respeito a doações recebidas antes das prestações de contas parciais e que só foram registradas nas prestações finais, somando mais de R$ 6 milhões.

O PSDB informou por meio de nota que já esclareceu ao TSE todas as dúvidas e ratificou os erros apontados pelo tribunal. Segundo o partido, todos as doações foram registradas com os devidos recibos eleitorais, inclusive as da Odebrecht e Construbase, e as falhas detectadas são erros meramente contábeis.

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Dossiê ‘Verdade sobre Vaccari’: a verdade sobre as acusações da Operação Lava Jato ao ex-tesoureiro do PT e sua família

Alegações finais da defesa comprovam que Vaccari é inocente

“É sempre bom advertir que a lei proíbe que uma sentença condene alguém exclusivamente com base em delação premiada”, ressalta advogado Luiz D’Urso

Interpretações descontextualizadas, delações contraditórias e com claro objetivo de criminalizar o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, mesmo sem nenhuma prova sequer. Esse é o resumo das alegações finais do Ministério Público Federal amplamente contestadas pela defesa de Vaccari.

Segundo o advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, “até mesmo as delações, único elemento levantado pelo MPF e que não podem ser consideradas provas, conforme definição legal, são favoráveis ao Vaccari.”

Em nenhum momento, durante todo o interrogatório dos delatores Augusto Mendonça, Júlio Camargo, Pedro Barusco ou Alberto Youssef – o doleiro que mentiu para a Justiça no caso Banestado -, Vaccari foi citado como parte na negociação do pagamento de propina.

O espetáculo midiático em torno do nome de Vaccari diz o contrário. Mas os fatos não.

Já falamos mais de uma vez aqui neste Blog sobre as contradições a respeito das delações premiadas de réus confessos envolvendo o nome de Vaccari, conforme é possível conferir aqui, aqui e aqui – sobretudo no que diz respeito à delação de Pedro Barusco.

Quando citam o nome de Vaccari apenas reforçam o argumento alegado pela defesa desde o início: João Vaccari Neto, na condição de tesoureiro, solicitou doações oficiais e legais ao partido, via transferência bancária, tudo declarado e aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas vejam mais essa, relacionada à delação do executivo do Grupo Setal Óleo e Gás (SOG), Augusto Mendonça, e que consta nas alegações finais da defesa de Vaccari:

Interrogado: “conforme já fiz, já declarei em outros depoimentos, eu fazia um pagamento ao doutor Pedro Barusco, ao doutor Renato Duque e, se havia um entendimento deles com o doutor João Vaccari, era um entendimento deles, o entendimento que eu tive com o doutor João Vaccari foram contribuições legais que ele solicitou e eu fiz, através das minhas empresas, dentro dos limites legais estabelecidos.

Juiz Federal: – E essas contribuições não estavam relacionadas a esses valores de propina da Petrobras?

Interrogado: – No meu caso, não.”

E as evidências não param por aí…

Juiz Federal:– “O senhor, na conversa que o senhor teve com o senhor João Vaccari, o senhor mencionou que esses valores eram decorrentes de contratos da Petrobras?

Interrogado:- Não, senhor.

Juiz Federal:– Senhor mencionou que o senhor estava procurando a pedido do senhor Renato Duque?

Interrogado:- Não, senhor.

Juiz Federal:– O senhor não explicou a origem desses valores que isso era decorrente de acertos de propina com o senhor Renato Duque?

Interrogado:- Não, senhor.”

Ao contrário do MPF, provas foram produzidas pela defesa de Vaccari comprovando sua inocência e confirmando a lisura dos procedimentos adotados pelo ex-tesoureiro do PT.

– Acesse o Dossiê que comprova detalhadamente a inocência de Vaccari

Durante toda a investigação, nada de irregular foi encontrado contra Vaccari. Pelo contrário, pois, como já afirmado, ele não foi apreendido com dinheiro, não tem conta no exterior, não enriqueceu e não possui consultoria. Vaccari é classe média e possui apenas uma conta corrente que, assim como as contas de sua esposa e filha, foi investigada na quebra de sigilo bancário e nada de irregular foi encontrado.

Vaccari é inocente e um homem honrado.

Vaccari é preso político!

Liberdade ao Vaccari já!

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Sérgio Moro, que prometeu passar Brasil a Limpo, tem salário de R$ 77 mil

Olha só que cara de pau!

O juiz federal Sergio Moro, que mandou prender por engano a cunhada de Vaccari (depois viu que não era ela) porque achou que ela havia depositado R$ 2 mil na conta da irmã, ganha R$ 77 mil por mês!

Ou seja, ele pode ter recebido, de verba pública, mais de R$ 5 milhões em seis anos.

E agora veja que cômico, trágico e estarrecedor…

O juiz federal que comanda a Lava Jato exigiu que Vaccari explicasse como sua esposa movimentou R$ 583 mil – cerca de R$ 6,9 mil por mês – em sua conta ao longo dos últimos sete anos. Isso mesmo, SETE ANOS de depósitos picados de uma aposentada que continua trabalhando como psicóloga autônoma.

Pois bem. A defesa de Vaccari provou minuciosamente, com planilhas, informes de rendimento, informações do banco Itaú e extratos bancários, que o valor questionado teve origem no salário recebido por Vaccari e está tudo declarado em seu imposto de renda. O valor é compatível com a renda que Vaccari obteve no período, conforme já explicamos aqui a origem de sua remuneração – aposentadoria pelo Santander, conselheiro Itaipu, administração da Bancoop e tesoureiro PT.

É surreal assistir a essa esculhambação jurídica da qual Vaccari é vítima.

***

Do PT na Câmara.

Wadih Damous: Sérgio Moro, que prometeu passar Brasil a Limpo, tem salário de R$ 77 mil

O deputado Wadih Damous (PT-RJ) criticou nesta quinta-feira (20), na tribuna da Câmara, juízes e integrantes do Ministério Público que estão descumprindo o art. 37 da Constituição Federal, recebendo vencimentos acima do teto salarial. “E, para a nossa surpresa, na relação de juízes, desembargadores e membros do Ministério Público que percebem acima do teto, está o nome do insuspeito juiz Sérgio Moro, esse mesmo, que prometeu limpar o Brasil da corrupção, que prometeu passar o Brasil a limpo”, ironizou.

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, segundo Wadih Damous, tem recebido nos últimos meses acima do teto, que é limitado ao salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), hoje em R$ 37,4 mil. “O paladino da moral, que promete limpar o País da corrupção, recebe em média R$ 77 mil por mês, quase o dobro do teto. Acredito, então, que a limpeza deveria começar pela remuneração desses juízes e desembargadores que percebem acima do teto constitucional, em manobras que não fazem bem à democracia e à moralidade”, criticou.

O deputado Wadih Damous destacou que as informações que o mundo jurídico já conhecia, sobre o descumprimento do teto salarial na magistratura, foram publicadas na última semana, no site Consultor Jurídico, especializado em questões ligadas ao Direito, ao Judiciário e ao Ministério Público. “A matéria mostra que muitos juízes e desembargadores percebem acima do teto. Na verdade, o texto sintetiza de forma clara que o teto virou piso. Isto graças a expedientes de criação de penduricalhos do tipo auxílio-moradia, auxílio- táxi, auxílio-educação, auxílio isso, auxílio aquilo” enfatizou.

O deputado Damous disse que essa prática é inadmissível. “É um verdadeiro acinte moral essas verbas serem pagas de maneira disfarçada, como se fossem indenizações e, por isso, não estarem sujeitas à parcela única ou ao teto remuneratório”, criticou.

A matéria do site Consultor Jurídico cita que, no caso do Ministério Público Federal, existem procuradores com remunerações de R$ 48 mil. Outros, com atuação em segundo grau, ganham quase R$ 65 mil por mês.

Assista o vídeo do Wadih falando sobre o super salário de Sérgio Moro.

Sobre a honra…

Em função da campanha difamatória como a que João Vaccari Neto está sofrendo, resolvemos resgatar um dos textos publicados no início da jornada deste Blog. É sobre a honra!

Na medida do possível, o Blog tenta mostrar o outro lado, a verdade sobre Vaccari, que enfrenta uma batalha injusta e desigual. É difícil resgatar o respeito da sociedade e contar a verdade dos fatos especialmente quando os detratores são um juiz, um policial federal, um procurador da República e, para piorar, o fazem com o apoio dos donos das rádios, televisões, jornais impressos e revistas, que costumam tratar seus oponentes de forma sensacionalista, hipócrita e com má-fé.

Vaccari é um homem digno e não está sozinho.

Quem vai devolver à família o orgulho de ostentar o sobrenome Vaccari?

Desde criança aprendemos com nossos pais que devemos honrar a história e, em especial, o nome da nossa família. “É tudo o que temos”, dizem eles. Somos orientados sobre como temos de nos comportar para sermos tratados como pessoas ‘de bem’ que merecem respeito ao sobrenome que carregamos.

Descobrimos desde cedo que temos de ser honestos, trabalhadores, solidários, corretos com nossos amigos e colegas de trabalho. Temos de pagar todos os impostos e dívidas que fizermos – nada de nome sujo na praça, nada de nome na lista de inadimplentes do SPC. É nossa obrigação fazer tudo para ser uma pessoa digna do nome da família que ostentamos com orgulho, seja Souza, seja Silva, seja Vaccari. Essa, afinal, é a herança que deixaremos para nossos filhos e netos. É a herança que recebemos.

Esse sentimento de honra, de grandeza, de glória, de virtude e de probidade, é o orgulho de todos que lutam para manter os valores, os princípios morais e éticos passados de pais para filhos, especialmente entre as famílias menos abastadas que dão muito duro para criar e educar os filhos e se esforçam diariamente para construir e manter uma reputação ilibada. É a herança que deixarão.

A questão é tão importante que até a legislação brasileira tem um item que estabelece a proteção à honra dos cidadãos. Quem for ofendido, diz a Lei, pode recorrer à Justiça alegando injúria, calúnia, difamação. Em alguns casos, até ganham essas ações. Difícil mesmo é resgatar o respeito da sociedade, limpar o nome da família, especialmente quando os detratores são um juiz, um policial federal, um procurador da República e, para piorar, o fazem com o apoio dos donos das rádios, televisões, jornais impressos e revistas, que costumam tratar seus oponentes de forma sensacionalista, hipócrita e com uma dose enorme de má-fé.

Quantos brasileiros sabem, por exemplo, que o Supremo Tribunal Federal inocentou formalmente Luiz Gushiken, submetido a todas as acusações possíveis de envolvimento com corrupção, exposto nos meios de comunicação burgueses durante anos? Pois é, ele nunca participou de nenhum esquema de corrupção, muito pelo contrário, sempre se comportou com a mais absoluta correção e ética em todos os cargos que ocupou e em sua vida pessoal e familiar. Mas, a notícia sobre sua inocência foi dada somente em cantos de páginas de jornais impressos e em notas telegráficas de telejornais e rádios.

Em um site da comunidade japonesa, um jornalista disse que, como um samurai, Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”. Fica a pergunta: quantos dos brasileiros que assistiram e ouviram jornalistas, analistas e comentaristas execrarem a imagem de Gushiken ficaram sabendo que ele é inocente, honrado, digno e que foi apenas atropelado pela imprensa e pelos investigadores/acusadores?

Ele, assim como Vaccari, foi barbaramente ofendido em sua honra. E isso, diz a Lei, é um fato típico e antijurídico. O Estado, que tem obrigação precípua de tutelar a individualidade de cada pessoa, pode punir o ofensor e caluniador, reforçam os especialistas em direito.

O que a Lei não prevê é, depois de ser exposto de maneira abominável, canalha e repulsiva como ladrão, desonesto e corrupto, justamente por aqueles que deveriam garantir o cumprimento das leis, o que um cidadão pode fazer? Pedir direito de resposta nos horários nobres dos telejornais, nas primeiras capas dos jornais impressos? Entrar com uma ação na Justiça por danos morais?

É impossível uma pessoa cumprir o que prometeu aos pais de defender e honrar o nome da família quando se é vítima de uma campanha difamatória infame e brutal como a que João Vaccari Neto está sofrendo, como a que tantos petistas veem sofrendo nos últimos anos, única e exclusivamente porque fazem parte do partido que priorizou e jogou luzes sobre os mais necessitados, aquelas pessoas invisíveis que a elite não queria enxergar.

É sobre uma releitura da luta de classes no Brasil que estamos falando. É sobre como a dignidade e a vida de um ser humano e de uma família honrada podem ser usadas de maneira torpe na luta política de um País que ainda não consolidou a democracia nem tampouco aprendeu o valor de se combater as desigualdades para se criar uma nação mais justa e para todos, independentemente da coloração partidária.

O que a imprensa chama de ‘caso Vaccari’ escancara o uso político que juízes e promotores estão fazendo de suas funções. Eles se desviam de suas atribuições constitucionais, se submetem a orientações de partidos políticos e à pauta da grande mídia para atacar um partido e seus representantes, relegando a Lei e a Justiça a um segundo plano. A vítima dessa conspiração enfrenta uma batalha perdida, injusta e desigual. Esse é o caso de João Vaccari Neto. Isso pode acontecer com você amanhã. Isso pode acontecer com todos que não perceberem que é preciso lutar para restabelecer a Lei e a Ordem, restabelecer a verdade dos fatos, não permitir que tantas famílias carreguem o peso da desonra provocada por falsas e jamais comprovadas acusações.

Saiba mais e conheça a verdade sobre Vaccari:
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Absurdos como os produzidos neste final de semana seguem a mesma estratégia que denunciamos há meses. Mas até quando?

Como bem definiu Paulo Nogueira, no DCM, “quebrar o sigilo bancário de Lula e passá-lo logo a quem, a Veja, foi um golpe de extrema sordidez”.

Além de uma capa extremamente desrespeitosa à imagem do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, a revista Veja transforma suposições que não condizem com a verdade em um artigo de opinião para requentar mais uma capa contra o Partido dos Trabalhadores.

Essa é a obsessão deles. Até aí nada de novo. Não é a primeira capa desrespeitosa e não será o último texto baseado em mentira e ódio.

Na mesma edição, a revista comemora o fato de o Ministério Público ter arquivado a investigação do aeroporto construído nas terras do tio de Aécio. Chega a ser patético.

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Apesar de o roteiro do ataque ser antigo, o problema maior é o novo vazamento do relatório sobre a empresa do ex-presidente Lula. Um órgão que serve para fiscalizar não pode fazer uso político de seu trabalho.

Até quando iremos assistir a vazamentos criminosos e seletivos da Polícia Federal sem que esse órgão seja fiscalizado ou que os responsáveis sejam punidos?

Os dados sobre a empresa do ex-presidente Lula não apontam nada de irregular. Nada de errado. Os órgãos de fiscalização podem ter acesso a informações contábeis de qualquer empresa ou instituição, desde que autorizados pela Justiça.

Porém, divulgá-los para a imprensa sem que nada de errado tenha sido constatado é só uma forma de constrangimento, uma maneira de aproveitar o clima confuso dos últimos meses para deixar as pessoas atônitas e lançar suspeitas. É a fofoca pura e simples.

Pelo visto adentramos em terreno espinhoso.

Enquanto isso, na semana passada, o procurador Daniel Holzmann Coimbra, do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial da Procuradoria, denunciou por calúnia o delegado e o agente da Polícia Federal que apontaram irregularidades na condução da Operação Lava Jato, como o uso de escutas ilegais.

Eles, considerados pelo Blog do Fausto Macedo como ‘dissidentes’ da Lava Jato, são acusados de se associarem “para ofender a honra dos colegas”. Ora, vejam bem o que acabaram de ler: foram acusados por calúnia por terem denunciado irregularidades nas investigações.

Esses tais colegas são exatamente os mesmos personagens que fizeram campanha aberta nas redes sociais ao então candidato Aécio Neves (PSDB) em pleno andamento da Operação Lava Jato.

Chegamos ao ápice dos absurdos. Parece que vivemos em uma terra sem lei. Ou melhor, a lei a que essas instituições seguem tem uma lógica só: criminalizar o PT, não importa se o crime tenha sido cometido ou não.

O recente relatório da Polícia Federal chega ao ponto de transcrever um telefonema de um acusado da Lava Jato com o ex-presidente Lula, cuja ligação não diz absolutamente nada e, portanto, não tem nenhum interesse aos investigadores.

Mas isso é detalhe para eles.

Para nós não!

É grave o fato de utilizarem os instrumentos do próprio Estado para colocarem em risco a democracia e transformarem uma operação em justiça de exceção.

Verdade sobre Vaccari
Com relação às acusações infundadas e até mesmo desrespeitosas com relação ao ex-tesoureiro do PT, reafirmamos que o esforço da turma da Lava Jato é de tentar criar uma imagem negativa de Vaccari.

É o que resta a eles. Afinal, não conseguiram sequer uma prova que comprove o que a palavra de delatores e réus confessos disseram para ter suas penas reduzidas.

Cabe ao Ministério Público comprovar a acusação que diz a denúncia, o que não foi feito até agora.

Acesse o dossiê e conheça a verdade sobre Vaccari.

Leia também: 
PF vai apurar vazamento de dados de Lula à Veja

Lava Jato poderia contratar o site Sensacionalista para fazer a cobertura

Ao amanhecer com a notícia de que Sergio Moro decretou uma nova fase da Lava Jato, resolvemos compartilhar a síntese feita por Miguel do Rosário a respeito do novo capítulo da novela da República de Curitiba.

Definitivamente, a operação precisa da mídia e de uma fase por semana para sobreviver.

Confira o texto:

Por Miguel do Rosário, no O Cafezinho

Longe de mim falar que a Lava Jato entrou em fase decadente.

Já fiz isso antes e me lasquei. Não imaginava que a operação fosse literalmente infinita e onipresente.

A Lava Jato poderia contratar o site Sensacionalista para fazer a cobertura.

Sergio Moro se tornou, de fato, o grande monarca do judiciário brasileiro.

De sua pequena vara em Curitiba, coordena ataques policiais a todos os estados, todas as estatais e agora a todos os ministérios.

Possivelmente, gostaria de alcançar o mundo inteiro.

A Lava Jato iniciou hoje, por exemplo, a sua décima oitava fase.

Agora é uma fase por semana.

Tudo sempre em coordenação afinada com a Globo e outros órgãos de mídia.

O importante é gerar conteúdo antipetista à mídia.

Olha só que lindo este tweet da Globo. Repare como eles conseguem reunir, numa frase só, tudo que eles gostam: PT, PF, Pixuleco, Ministério do Planejamento.

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O nome Pixuleco II revela o sucesso do nome Pixuleco. É um nome que atinge o PT em cheio, porque seria o apelido, segundo um delator, usado pelo ex-tesoureiro do PT para designar a propina destinada ao partido.

E a PF, que se tornou polícia política contra o próprio governo, caso único no mundo, elabora semânticas especialmente preparadas para atingir politicamente o governo e o partido do governo, naturalmente.

A coisa mais republicana e natural do mundo, não?

A matéria do Globo sobre essa nova operação também me parece perfeita. Convenientemente confusa, misturando dados vagos, delações, suspeitas, faz o que quiser. O que não pode faltar: Dirceu, Vaccari, muito PT, um bocado de pixulecos, e agora uma novidade: ministérios do Planejamento e Previdência.

Uma reportagem perfeita!

Ainda mais agora, que eles fizeram esse recuo estratégico em relação ao impeachment.

Aliás, será essa a estratégia?

Já que não querem derrubar a presidenta, então vão destruir o governo e o PT por dentro.

Como dizia Dilma: não vai sobrar pedra sobre pedra.

E o Financial Times vai fazer elogios maravilhosos ao Brasil!

Enquanto isso, o almirante continua preso, porque Sergio Moro encontrou sabe-se lá que informação “num site na internet” para justificar sua prisão.

É sempre assim: Moro justifica a prisão da pessoa depois de prendê-la.

Quantas fases terão a Lava Jato? Trinta, quarenta, duzentas?

Porque Sergio Moro não se autonomeia Interventor Federal?

Ou melhor, porque não criamos uma Agência Federal Anti-Corrupção do PT, presidida por Sergio Moro.

Sim, precisa ser Anti-Corrupção do PT, porque de outros partidos, como se diz, não vem ao caso.

Uma das primeiras regras do Código de Ética dessa nova Agência Federal seria que, se fosse encontrado qualquer indício de envolvimento de partidos de oposição ou figurões da mídia numa investigação, a Globo seria notificada em primeira mão, com a seguinte mensagem:

“Podemos tirar se achar melhor”.

O maior suspense, no entanto, é quanto à delação de Marcelo Odebrecht. Se Marcelo mantiver a mesma postura ofensiva contra os desmandos e arbítrios de Sergio Moro que manteve até o momento (embora sem sucesso, porque Moro é ditador blindado pela mídia e pelo corporativismo; não importa o que faça, será sempre o heroi da Globo) , então pode vir chumbo grosso contra o PSDB e a Globo.

Se Marcelo amarelar, então pode vir mais artilharia para cima do PT.

De qualquer forma, é um país estranho, em que se prende o executivo mais brilhante da empresa de engenharia mais importante do país, sem apresentação de prova alguma. E se o mantém preso com justificativas encontradas depois da prisão (incluindo coisas ridículas, como o fato da Odebrecht tentar… se defender).

País estranho em que procuradores vão aos EUA, às expensas do erário, pedir ajuda para destruir a Petrobrás, a Odebrecht e grandes empresas nacionais.

Enquanto EUA e Europa fazem guerras, e torram bilhões de dólares, quiçá trilhões, para abrir mercados para suas empresas em outros países, aqui a mídia e setores do Judiciário tentam criminalizar Lula por dar palestras em outros países e tentar… abrir outros mercados para nossas empresas.

Pior: aqui os setores “coxinhas” do Estado tentam destruir as nossas próprias empresas.

País estranho em que o maior cientista nuclear do país é preso por prestar consultorias de… tecnologia nuclear. Consultorias – importante salientar –  devidamente registradas, e para as empresas corretamente envolvidas no projeto nuclear brasileiro. Se o almirante Othon quisesse levar um “pixuleco” de verdade para casa, podia tranquilamente vender nossos segredos para algum país estrangeiro. Mas isso não vem ao caso, né Moro, né procuradores?

E pensar que o nosso Judiciário e o nosso Ministério Público são os maiores e mais caros do mundo! E que, comparativamente às mesmas funções exercidas em outros países, nossos juízes e procuradores ganham os maiores salários pagos em todo mundo!

Será que esses procuradores e esse juiz não pensam que só ganham estes salários estratosféricos por causa do nosso desenvolvimento econômico, por causa das nossas empresas de engenharia, como a Odebrecht, por causa da Petrobrás, por causa do trabalho de gente como o Almirante Othon Pinheiro?

Será que eles pensam que o salário deles vem das novelas da Globo?

Ou isso também não vem ao caso?

– Aos que desejam aprofundar o conhecimento com a verdade, leia mais:
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A história do novo campeão das delações premiadas

Por Luis Nassif, no GGN

O novo advogado campeão da Lava Jato chama-se Marlus Arns.

O que leva um advogado de Curitiba a ser procurado por clientes de causas milionárias, em um terreno tão inovador quanto o da delação premiada? Certamente não foi por sua experiência pregressa com o instituto da delação premiada.

Segundo reportagem de Bela Megale e Estelita Hass Carazzai, da Folha (http://migre.me/r7dAK),

“Até a Lava Jato, Arns fazia parte do coro de críticos da delação. Professor da Academia Brasileira de Direito Constitucional, ele sempre falou contra o instituto, e diz que provavelmente continuaria fazendo isso se não tivesse entrado na operação.

“Depois que firmei os acordos, não dei mais aulas. Quando voltar, vou mostrar que é um caminho da defesa, mas que precisa ser debatido, estudado e aprimorado.””

Se não era sequer a favor da delação premiada, o que os réus de Sérgio Moro foram encontrar no advogado, a ponto de fazê-lo mudar de opinião sobre o tema?

Lendo a reportagem da Folha, o nome me soou familiar e fui procurar nos arquivos do post. Ele é mencionado no post “Como a educação inclusiva enfrentou o preconceito e as APAEs” , de 13 de novembro de 2013.

O post denunciava a atuação de Flávio Arns, ex-senador e então Secretário de Educação de Beto Richa, no lobby em favor das APAEs e contra a educação inclusiva.

Arns chegou a disponibilizar para as APAEs do estado R$ 450 milhões, apenas para que pudessem competir com a rede pública, que há anos vinha sendo preparada pelo MEC (Ministério da Educação) para prover serviços de educação inclusiva.

No post, era mencionada a dobradinha entre as APAEs e Marlus Arns:

“Arns de Oliveira & Andreazza Advogados, de seu sobrinho Marlus Arns, conquistou toda a advocacia trabalhista da Copel, a companhia de energia do estado (http://glurl.co/cLh). Um megacontrato sem licitação. No início deste ano, o mesmo escritório foi contratado para atender à Sanepar, a Companhia de Saneamento do estado, por R$ 960 mil (http://glurl.co/cLm), duplicando a atuação do seu Departamento Jurídico. Também sem licitação.

Uma pesquisa rápida nos tribunais mostra que esse mesmo escritório atende, no mínimo, vinte APAEs do estado, prestando serviços jurídicos de toda espécie (clique aqui), entre elas para as APAEs de Califórnia, Cambira, Curitiba, Dois Vizinhos, Eneas Marques, Figueira, Icaraíma, Mandirituba, Nova América da Coluna, Nova Esperança, Nova Olímpia, Paranaguá, São João do Ivaí, São Sebastião do Amoreira, Telêmaco Borba”.

Esposa de Sérgio Moro, Rosângela Wolff de Quadros Moro foi assessora de Flávio Arns e trabalha como Procuradora Jurídica da Federação Nacional das APAEs, dominada pelo deputado tucano mineiro Marcus Pestana, um dos mais agressivos defensores do impeachment de Dilma (http://migre.me/r7doy).

Em princípio, não significa nenhuma indicação ilícita. Vale apenas pela curiosidade da coincidência. Afinal, a esposa de Marlus é juiza federal.

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Quem “entregar” o Lula se livrará da prisão, não importa quanto roubou

É o que policiais federais e procuradores públicos da Lava Jato estão supostamente dizendo aos presos

“Se você entregar o Lula, sairá rapidinho.” Essa é a informação que chegou à cúpula petista, de acordo com a matéria da jornalista Vera Rosa, publicada hoje no Estadão. Integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público estariam dizendo isso aos presos da Lava Jato, diz a jornalista.

Por acaso você viu essa importante revelação estampada nas manchetes dos jornais? Claro que não. A “chefia” jamais permitiria uma coisa dessas que escancara o real e único objetivo da Operação Lava Jato, que, como este Blog sempre afirmou, é muito mais político do que jurídico. E se o repórter desse destaque, provavelmente, teria o cuidado de colocar entre parêntesis a frase que um colega da Reuters “mitou”: (Se quiser, pode tirar).

O fato concreto é que a estratégia golpista não está apenas na imprensa – apesar de esta ser responsável pelo combustível desse estardalhaço -, mas na própria Lava Jato e nos procuradores fanáticos, como aquele que foi a uma igreja evangélica rogar a Deus e dizer amém a cada frase obsessiva contra os supostos corruptos. Declaram aos holofotes da mídia desejar refundar a República, mas nós conhecemos o passado “engavetador” dessas personalidades travestidas de “agentes da Justiça”.

É estarrecedor acompanhar diariamente os passos calculados da República da Lava Jato. É uma estratégia cuidadosamente elaborada e descaradamente política. O objetivo é claro: destruir o legado do PT e “pegar” o Lula. Não restam dúvidas.

A Lava Jato fugiu do bom senso e da racionalidade. Eles querem travar o país. Essa operação não tem mais nada de jurídica. Acabou a farsa. A prisão do Dirceu foi agendada. Ela estava marcada justamente para a volta do recesso parlamentar, dia 3 de agosto. O objetivo é evidente: tirar o foco de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, acusado por um delator de ter recebido cinco milhões de dólares.

No mesmo dia em que o preso foi preso, com direito a exibição ao vivo,  Eduardo Cunha visitou a sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro, para reunião a portas fechadas. Foi discutir o que com a família Marinho? O golpe, a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, eleita por mais de 53 milhões de eleitores de forma democrática?

Não cabe mais explicações jurídicas. Não cabe mais nenhum esclarecimento a quem, antes de investigar, já julgou e condenou.

Mas cabe muita atenção aos fatos e ao desenrolar desta operação. Se a Lava Jato tem como objetivo combater, de fato, a corrupção na Petrobras, que começou em 1997, no governo FHC, segundo pelo menos dois delatores, temos de cobrar por uma investigação efetiva, transparente, ampla, geral e irrestrita de todas as delações feitas até agora ou de todos que surgiram nos bilhetes, planilhas ou e-mails apreendidos. Não importa se envolvendo nomes como os dos senadores Aécio Neves (PSDB), José Serra (PSDB), Álvaro Dias (PSDB) ou qualquer outro parlamentar, de qualquer partido, como ocorreu.

O que temos certeza até agora é que nem Dilma nem Lula foram citados pelos delatores, apesar da pressão psicológica, da tortura a que são submetidos durante meses e meses até decidirem delatar qualquer coisa para se livrar da prisão e da turma de Moro.

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Faz sentido os procuradores da Lava Jato dizerem que vão “refundar a república”?

Por Kiko Nogueira, no DCM 

O procurador Deltan Dallagnol se define assim nas redes sociais: “Seguidor de Jesus, Marido e Pai Apaixonado, Procurador da República por Vocação e Mestre em Direito por Harvard”.

Tudo com maiúsculas.

Dallagnol está tendo seus 15 minutos de fama e adorando. Numa igreja batista, apresentou as célebres “10 medidas contra a corrupção”, iniciativa do Ministério Público Federal. Não viu problema nenhum em fazer esse tipo de pregação ali.

Na abertura do 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia, em Curitiba, foi além. Traçando uma analogia óbvia entre sua atividade e a dos anfitriões, Dallagnol afirmou que a corrupção “é um câncer que torna a sociedade doente e a operação Lava Jato é a cirurgia que vai extirpar essa doença”.

“Ao salvar vidas, vocês são os heróis do nosso país”, disse para a plateia embevecida, deixando claro que estava falando também de si próprio.

A ira santa de Dallagnol contaminou Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa do MPF. Ao Estadão, Lima disse que “o Brasil merece mais. Merece acreditar em quem trabalha duro e honestamente”. (Grifo nosso e pausa para risos. Confira aqui o histórico do procurador que deseja refundar a República e a ligação de outros personagens do caso Banestado à Lava Jato)

De acordo com ele, nada mudou aqui — até agora. “Vivemos ainda num capitalismo de compadrio, em uma falsa República”. Há esquemas criminosos no governo federal e nos partidos, declarou.

É preciso montar o quebra cabeça das relações público-privadas. “Só assim”, diz ele, “a população poderá separar o joio do trigo e poderemos enfim refundar nossa República.”

Uma das críticas mais comuns a Lula é a de que seus admiradores o consideram um messias. Mas os homens da Lava Jato, com o palco e o microfone à disposição, tornaram-se imbuídos do espírito de salvadores da pátria.

Nenhum deles é sociólogo, mas fazem análises incríveis da vida nacional. A prisão de gente como José Dirceu os transforma ainda mais em, como diz Dallagnol, heróis do nosso país.

Esse lugar foi ocupado, anteriormente, por Joaquim Barbosa, o menino pobre que mudou o Brasil, segundo a formulação da Veja. Hoje ninguém se lembra dele. Usou, foi usado e tchau.

O espírito cesarista de JB tomou conta do exército de Moro, que tem licença para matar e não responde a ninguém.

É evidente que corruptos devem ser identificados e punidos. Ninguém é idiota de achar o contrário. Agora, não cabe a um procurador dizer que vai “refundar a república.” Baseado em quê? Em inquéritos policiais infalíveis? Isso, sim, é um perigo para a democracia.

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