Blog oficial da Lava Jato quer atingir Vaccari novamente

Parceiro fiel dos vazamentos da operação, o Blog do Fausto Macedo, do Estadão, tenta confundir a opinião pública com base em suposições

Mais uma vez, o Blog do Fausto Macedo, porta-voz da turma da Lava Jato, publica uma matéria que passa a sensação de que o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, cometeu algum crime. As informações não dizem nada, mas contribuem e muito para deixar o leitor, no mínimo, intrigado, desconfiado, com uma pulga atrás da orelha – como dizia o mestre Chacrinha: “Eu não vim para explicar. Vim para confundir”.

Parceiro assíduo dos vazamentos seletivos da Operação Lava Jato, o Blog confunde a opinião pública ao se basear em meras ilações. É sempre assim. Mas isso não parece preocupar quem não tem compromisso com a apuração, com a verdade dos fatos, com a obrigatória checagem de uma informação. É apenas o trabalho de um operário do jornalismo que faz o que a Família Mesquita manda. E os Mesquitas, sejamos sinceros, nunca negaram querer acabar com todos os petistas.

Ninguém sabe mais quem usa quem. Se a imprensa usa a Lava Jato para produzir manchetes que atingem o PT e o governo ou se procuradores e juízes – identificados com o tucanato, registre-se – usam os holofotes da mídia para se promover e fazer uso político de uma operação que carece de provas e investigação.

O título da matéria diz que Vaccari fez sequência de visitas à cúpula da Andrade Gutierrez. E daí? O que isso significa? Já ressaltamos mais de uma vez (está até cansativo) que Vaccari, na condição de tesoureiro, solicitou doações oficiais ao partido não somente à Andrade Gutierrez, mas a diversas empresas. Essa é a tarefa que desempenha um tesoureiro de qualquer partido. Solicitar doações oficiais e legais à legenda não é novidade para ninguém.

A resposta do advogado de defesa Luiz Flávio Borges D’Urso ainda reforça: “Se realmente essas visitas ocorreram, nada de estranho, a princípio, uma vez que era atribuição de Vaccari, enquanto tesoureiro do PT, fazer visitas a pessoas físicas e jurídicas solicitando doações legais para o partido. E, quando essas doações ocorriam, eram depositadas na conta corrente do partido, contra recibo, que prestava contas às autoridades. Portanto, nada de irregular nessas visitas.”

A própria investigação mostra que os fatos que nos chocam na Lava Jato não têm relação com Vaccari. Ele não enriqueceu, não possui conta no exterior, não recebeu vantagens indevidas. A quebra de sigilo bancário e fiscal comprovou: Vaccari é classe média, nada além disso.

Acesse aqui o dossiê com a verdade sobre Vaccari 

E a pergunta que falta a turma da Lava Jato responder é: se há crime nas doações, por que não estão investigando todos os partidos? Em 2014, enquanto o PT arrecadou cerca de 25% do valor total doado pelas empresas citadas na Lava Jato, o PSDB recebeu 24%. Ora, sejamos francos. Por que o dinheiro que chega aos tucanos é “contribuição eleitoral” e se transforma em propina quando é ao PT?

E Furnas?
Por que Furnas está fora de questão na Lava Jato? Quando o doleiro Alberto Youssef – o delator que mentiu para o juiz Sérgio Moro no caso Banestado – revelou os desvios de dinheiro em Furnas envolvendo diversos políticos do PSDB, foi interpelado pelo mesmo juiz Moro. A justificativa era que a ação se referia aos desvios na Petrobras, portanto, Furnas estava fora de questão.

E agora que estão avançando sobre a Eletronuclear, com a prisão do criador do programa nuclear brasileiro, não seria o caso de investigar Furnas?

No despacho em que pede a prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, e do executivo Flávio David Barra, presidente da Andrade Gutierrez Energia, o juiz Moro defende que a 16ª fase da Lava Jato, a tal da Radioatividade, é de sua competência, apesar de a subsidiária da Eletrobras e a usina Angra 3, alvo da investigação, serem sediadas no Rio.

Ora, então porque não Furnas?

Aguardamos retorno Moro!

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