Matéria do Estadão sobre Vaccari é irresponsável

Reproduzimos trecho do dossiê que esclarece as doações recebidas pelo ex-tesoureiro do PT. Essas informações são públicas e estão disponibilizadas neste blog “A Verdade sobre Vaccari”

Essa será, provavelmente, a semana nacional do “erramos”. Primeiro a Folha de S. Paulo dá como manchete que “Ex-diretor ligado a Lula continuará preso”, mas não cita em nenhum momento o ex-presidente Lula na matéria. Depois, coloca como destaque no site que Lula havia pedido um habeas corpus preventivo à Justiça, sendo desmentida posteriormente pelo Instituto Lula. Casos típicos de matérias que vão ao ar de maneira irresponsável com informações mal (não) checadas.  

Leia também: Barrigada intencional da Folha 

O mais recente descompromisso com a apuração dos fatos antes da publicação foi protagonizado pelo jornal Estado de S. Paulo, cuja manchete do site, na tarde desta sexta-feira (26), afirmava: “Ex-presidente da UTC diz em delação que repassou R$ 3,6 milhões aos tesoureiros de Dilma e do PT”.

A matéria, publicada às 16h26, diz que Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC, detalhou o repasse de R$ 3,6 milhões ao ex-tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2010, José de Filippi, e ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Segundo a reportagem, Pessoa entregou aos investigadores uma planilha intitulada “pagamentos ao PT por caixa dois” em que os ex-tesoureiros estão relacionados.

O texto ainda classifica José de Filippi, atual secretário municipal de São Paulo, como uma das pessoas mais próximas do ex-presidente Lula. É possível que o Estado tenha ficado com inveja do título da Folha e acrescentou essa informação de “extrema relevância”. Bastou conhecer o ex-presidente Lula para que ele seja citado na matéria, ainda mais quando se trata de assuntos que tentam descaradamente criminalizar o PT.

Ao ler os parágrafos, não há, em nenhum momento, qualquer referência a uma fonte responsável pelas informações divulgadas. No último parágrafo está o principal da matéria: “Procurado pela assessoria, Filippi ainda não respondeu ao Estado. A defesa de Pessoa informou que não vai comentar as informações porque a delação é sigilosa. Também informou que não confirma a autenticidade da planilha. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Vaccari”.

Ora, somente esse parágrafo é o suficiente para desconstruir toda a reportagem. Não há fonte citada na matéria. A defesa do principal personagem mencionado não confirma a autenticidade da planilha. Como os jornalistas tiveram acesso a essas informações sigilosas? É um novo vazamento seletivo em plena sexta-feira? Um vazamento logo um dia após a executiva do PT se manifestar contrária ao prolongamento indevido da prisão de seu ex-tesoureiro?

Leia mais sobre práticas jornalísticas e furos de reportagem no artigo de Luciano Costa, no Observatório da Imprensa

Com relação às doações realizadas ao PT, reproduzimos o trecho do Dossiê ‘Verdade sobre Vaccari’ que esclarece as doações recebidas por João Vaccari Neto na condição de tesoureiro do partido. Essas informações são públicas – disponibilizadas neste blog – e poderiam ter sido consultadas pela reportagem.

DOAÇÕES AO PARTIDO DOS TRABALHADORES

O QUE DIZ O MINISTÉRIO PÚBLICO
João Vaccari seria o operador responsável por receber dinheiro desviado de contratos da Petrobras por meio de doações eleitorais ao Partido dos Trabalhadores, desde 2003.

QUAIS SÃO OS FATOS
Vaccari foi eleito para o cargo de Secretário de Finanças do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores em 20 de fevereiro de 2010. No desempenho dessa função, atuou estritamente nos limites da lei brasileira. Solicitou e recebeu doações das maiores empresas do País, como qualquer tesoureiro de partido.

Todas as doações ocorreram por meio de transação bancária, com emissão de recibos, lançamentos contábeis e foram submetidas à análise e aprovação do Tribunal Superior Eleitoral.

A análise das doações efetuadas pelas empresas investigadas na Operação Lava-Jato evidencia que foram realizadas doações aos principais partidos do País. Inclusive àqueles que fazem oposição ao governo federal. Mais do que isso, constata-se que a relação entre as doações efetuadas por empresas investigadas na Operação Lava Jato e aquelas realizadas pelas demais empresas aos principais partidos são, em montantes, proporcionais, conforme se percebe na figura abaixo.

Fonte: Informações compiladas a partir de dados do site do TSE

Fonte: Informações compiladas a partir de dados do site do TSE

O jornal O Estado de S. Paulo também chegou a mesma conclusão, como é possível ser constatado na reprodução da página A4 da edição de 29 de março de 2015.

Estadao

As informações apresentadas por João Vaccari Neto durante seu depoimento
à CPI da Petrobras, no dia 9 de abril de 2015, também demonstram a
proporcionalidade das doações aos principais partidos e a legalidade das doações obtidas pelo PT.

Fonte: Informações compiladas a partir de dados do site do TSE

Fonte: Informações compiladas a partir de dados do site do TSE

DOCUMENTOS ANEXOS:
Anexo 1 – Pedido de prisão pelo MPF/PR, de 03/04/2015.
Anexo 2 – Resposta da defesa de Vaccari à acusação, de 27/04/2015.
Anexo 3 – Apresentação realizada por Vaccari na CPI da Petrobras, em 09/04/2015.

Verdade sobre Vaccari
Acesse aqui o dossiê com um resumo da defesa apresentada por Vaccari e seus familiares sobre cada uma das nove acusações feitas pelo Ministério Público. A íntegra da defesa e os documentos que desmontam os argumentos da acusação estão disponíveis nos anexos e neste Blog.

Leia também: Por que doações ao PT são propinas e aos demais partidos ‘contribuição eleitoral’?
Justiça de exceção é vingança
Por que é mesmo que Vaccari está preso?
Dossiê comprova detalhadamente a inocência de Vaccari

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